O Carnaval de Belo Horizonte 2026 terá novamente o maestro e músico Di Souza em posições centrais da festa, como direção musical, regência, criação artística e presença em cortejos diversos. Com atuação direta no Carnaval desde seu “renascimento”, o artista participa de blocos estruturantes da cena na capital mineira, imprimindo sua marca e a maneira de formar e comandar baterias, que inspiraram novos regentes e perduram até hoje.
Entre os destaques, Di Souza retorna à direção musical do Então, Brilha!, um dos pioneiros do movimento carnavalesco contemporâneo de BH e marco inicial de sua trajetória. Como regente, está à frente dos blocos Circuladô, É o Amô e Abre-te Sésamo, dos quais também foi fundador. E segue pelo terceiro ano consecutivo como diretor artístico do Volta Belchior e do Havayanas Usadas, que comemoram dez anos de história em 2026.
O Circuladô, do qual é fundador e diretor, volta à Avenida Afonso Pena, no domingo de pré-Carnaval, com três baterias alternadas sob sua regência, com mais de 700 membros, entre batuqueiros e equipe. O bloco é fruto da escola Percussão Circular, dirigida por Di Souza e que pretende chegar a mil alunos em 2026, formando as baterias de diversos blocos da cidade deste período.
Di Souza ainda participa dos desfiles do Swing Safado e do Ori Samba, ampliando sua presença artística ao longo da programação. Em todos esses contextos, além das funções de direção e regência, o artista também atua como cantor em alguns momentos.
A atuação no Carnaval de 2026 se conecta ainda à produção autoral recente do artista. No ano passado, Di Souza venceu o Concurso de Marchinhas Mestre Jonas com “Seu Cachorro Tá Na Rua”, canção que rapidamente ganhou as ruas e se tornou um dos destaques da folia. A música integra o álbum Boletim Vermelho que tem relação direta entre sua obra autoral e o Carnaval de Belo Horizonte. Para 2026, o maestro prepara o lançamento de uma nova canção feita especialmente para o Carnaval, a música “Multidão de dois” conta com a participação de Maurício Tizumba, que será lançada no dia 30 de janeiro.
Di Souza e a construção de um modo de reger o Carnaval de BH
Mais do que ocupar funções de destaque nos blocos, a trajetória de Di Souza está diretamente ligada à criação de um modelo de regência que hoje estrutura a execução coletiva das baterias no Carnaval de Belo Horizonte. Completando 20 anos como professor de percussão em 2026, a partir de sua experiência iniciada em projetos sociais e posteriormente impulsionada pelo Então, Brilha!, o artista desenvolve há 20 anos um sistema de sinais, códigos e gestos que organizam entradas, variações rítmicas, dinâmicas e condução de grandes grupos percussivos na rua, conectando banda com bateria e orkestrando todo cortejo através de uma metodologia inédita de se fazer carnaval.
“Quando iniciamos o movimento de retomada do Carnaval, era tudo muito ‘cru’, então, por meio da experiência de maestro no Então Brilha, comecei a desenvolver uma forma de fazer uma bateria composta por pessoas sem experiência tocar bonito. Mais tarde, me junto ao Peu Cardoso, grande amigo e figura importante nessa jornada. Nos inspiramos muito no Guto e na Chaya, que já puxavam vários blocos e nos indicavam um caminho. Eu e Peu criamos nossos sinais e códigos que depois foram sendo replicados, aprimorados e orientou membros de diversos blocos. Como, por exemplo, o regente ficar em cima do trio, que foi uma técnica que eu inaugurei em 2014 e que hoje é quase consenso na forma de reger”, conta. Algo original do carnaval de BH. Em outras cidades, o regente não fica no trio. Esse conjunto de práticas se tornou referência na capital mineira e contribuiu para viabilizar baterias numerosas.
Essa pesquisa está diretamente associada à defesa do acesso democrático à música e à percussão no Carnaval. Em 2026, esse percurso ganha um novo capítulo com a criação de um curso estruturado de regência, previsto para o 2° semestre do ano, com inscrições pela Percussão Circular. A proposta já traz experiências anteriores de workshops e busca formar novas pessoas regentes para os carnavais seguintes. “Transformar isso em um curso mais longo é uma forma de organizar, compartilhar e dar continuidade a esse legado”, explica Di Souza.
Sobre Di Souza
Di Souza é músico, maestro, cantor, compositor e diretor artístico, um dos nomes centrais da cena musical e carnavalesca de Belo Horizonte. Nascido na roça, criado na favela e com trajetória marcada pela circulação entre diferentes territórios culturais, além de gravar em 30 discos como percussionista o artista lançou em 2015 o disco Não Devo Nada Pra Ninguém, seguido por Bloco da Saudade (2021) e Boletim Vermelho (2025), seu terceiro álbum de estúdio, que reúne participações de artistas como Samuel Rosa, Sérgio Pererê, Flávio Renegado e Nêgo Bispo.
Boletim Vermelho, lançado em 2025, apresenta um repertório diverso, que transita entre gêneros da música popular brasileira e reflete sobre temas como educação, saber popular, relações afetivas e vida coletiva. A faixa “Seu Cachorro Tá Na Rua”, vencedora do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, sintetiza a conexão direta entre sua produção autoral e o Carnaval de rua.
No Carnaval de Belo Horizonte, Di Souza é fundador ou cofundador de blocos como Então, Brilha!, É o Amor, Pisa na Fulô, Abre-te Sésamo e Circuladô, além de atuar em funções de direção artística, musical e regência em diferentes projetos. É também o criador da Percussão Circular, a maior escola de percussão e musicalização da cidade, responsável pela formação de milhares de batuqueiros ao longo de mais de uma década e pela articulação entre ensino, criação artística e Carnaval de rua em Belo Horizonte.