O médico que trata a causa e não o efeito

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Medicina Integrativa vai muito além dos remédios, analisando pacientes também pelo estilo de vida e prevenindo doenças

Você sabe o que é Saúde Integrativa? É um conceito médico que não se preocupa apenas em curar doenças já existentes, mas em garantir um bem-estar permanente e completo, incluindo as saúdes física, espiritual, emocional, espiritual etc.

Na parte da Medicina, ela é a inspiração para profissionais que atendem o paciente de forma mais humana e individualizada, não focando apenas em diagnóstico, mas trabalhando também o estilo de vida do paciente, hábitos alimentares, relações sociais etc. A ideia é tratar as CAUSAS de possíveis problemas, para evitar os EFEITOS depois que a doença se instala.

A Dra. Tânia Apelbaum Novak é especialista no assunto e explica em detalhes:

 O que é Saúde Integrativa e como surgiu?

O conceito de saúde integrativa ou medicina integrativa surgiu mais ou menos no início do ano 2000 para fazer com que todas aquelas visões que eram consideradas alternativas fizessem parte também do tratamento da saúde. Ou seja, é uma integração de várias metodologias numa medicina integrada. Com o tempo a nossa medicina foi se tornando muito cartesiana, muito científica e foi desvalorizando e abandonando metodologias antigas que tinham resultado e talvez não tivessem explicação naquela fase. Hoje em dia muitas das nossas metodologias que eram consideradas medicinas alternativas, ou seja, consideradas talvez sem o valor científico passaram a ser compreendidas pela própria medicina, pelo próprio avanço científico, então elas passaram a ser incluídas. Então o médico de visão integrativa ele não vai só trabalhar com o arsenal da medicina alopática, que é muito válido, muito importante e às vezes até decisivo para a sobrevivência de um paciente ou para controle de uma doença. Para mim a visão de uma medicina integrativa é aquela que aborda a patologia por todos os ângulos, ou seja, ela quer compreender o efeito saúde. O que produz saúde no corpo, o que precisa ser regularizado, como esse corpo pode voltar a se tornar integrado para produzir saúde.

   

Como ela funciona?

Através de um sistema de questionários. É a investigação de todos os sistemas.  A gente sabe que para um corpo funcionar e não ter doença ele tem que ser capaz de se detoxificar. Então vamos ver como, por exemplo, o fígado está funcionando. Para o corpo funcionar com saúde tenho que ver como o aparelho digestivo está funcionando. Se essa pessoa absorve o alimento, se falta alguma coisa no sistema digestivo para que ela não aproveite a energia dos alimentos, minerais e vitaminas. Então é como analisar o funcionamento de uma máquina. Você não vai no carro olhar só o carburador, olhar o freio, você vai olhar como todo o sistema está funcionando, porque às vezes se eu melhorar o funcionamento do sistema já consigo uma melhora na saúde daquela parte do corpo que não está funcionando bem. Então eu considero a medicina integrativa uma medicina não exclusiva, ela não exclui nenhuma metodologia.
Se você vai tratar de um câncer, você precisa de uma quimioterapia, de uma cirurgia, de uma hormonioterapia, de uma radioterapia, mas isso não exclui que você possa fazer coisas para diminuir os seus sintomas e manter o seu corpo mais fortalecido e reduzir o sofrimento. Tem médicos integrativos que trabalham com ayurveda, com medicina chinesa, com ortomolecular, com massagem, com bioenergética, então é juntar todas as ferramentas. Tudo para tentar fazer com que o corpo volte a funcionar de maneira harmônica sem excluir nenhuma metodologia.

Descreva seus procedimentos.

Na prática, eu submeto o paciente a questionários, faço avaliação clínica, faço um pedido de exames completos pela nutrição funcional, ou seja, analisando os níveis metabólicos da pessoa. Então assim consigo informação de vários sistemas e entendo como a pessoa está funcionando bioquimicamente. Analiso seus sintomas e utilizo várias ferramentas para tratamento, tudo incluído naquilo que estudei que é a nutrição funcional, a ortomolecular, a fitoterapia. Indico também uma limpeza do paciente.  Perceber como é o processo digestivo é imperativo, saber se a pessoa tem sintomas gastrointestinais. Investigo também se a pessoa tem excesso de metais pesados e agrotóxicos. Enfim, é uma pesquisa total para saber como está funcionando esse sistema e como isso tem impacto na doença que o trouxe para o consultório. Com isso tento melhorar a funcionalidade do organismo.

Quais os benefícios que a Medicina Integrativa traz?

Uma melhor saúde, um maior bem-estar, uma compreensão de como o seu corpo funciona e maior responsabilidade, porque quando você aprende o que causou a sua doença. Assim pode preveni-la e manter-se bem. Acho que a principal descoberta é que você pode se sentir melhor. Às vezes as pessoas vivem em um estado mais ou menos de saúde e quando encontram um tratamento que leva ao seu melhor nível de energia, aumentam o seu prazer. Então isso é “ouro sobre azul” e esse é o maior benefício que isso traz a pessoa.

Ela exige um maior tempo com cada paciente, para que se conheçam melhor? Ou é a qualidade do tempo e o foco que mudam?

Como você está observando uma pessoa como um todo e quer entendê-la, claro que você precisa de tempo, que começa com um acolhimento. A gente tem que acolher o nosso paciente, fazer com que fique à vontade, confiante e terminar com essa ansiedade que o paciente tem diante de uma consulta médica. Então acho que esse tempo é muito importante e as consultas integrativas são realmente mais longas. Não estou interessada apenas no que o paciente diz, quero descobrir o não dito. O paciente, conforme vai relaxando, vai confiando e é estimulado com perguntas e uns questionários certeiros. Muita coisa vai se revelando, coisas que não saberíamos se você só focasse no sintoma que o paciente veio te dizer e se não procurasse acolher o indivíduo que está diante de você, que é um mundo. Então, para que eu compreenda esse mundo e possa reconhecê-lo e saber como vou obter informação dele, preciso de tempo.

Fotos: Carla Josephyne

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