Síndrome da gaiola: mais um transtorno causado pela pandemia da Covid-19

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A psicóloga Patrícia Viegas dá dicas de como identificar e cuidar para que essa síndrome não atrapalhe o retorno às atividades do dia a dia.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio é a terceira causa de morte de adolescentes e jovens brasileiros, cerca de 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, como a depressão.

A psicóloga Patrícia Viegas chama atenção para o aumento da ansiedade, síndrome do estresse pós-traumático e depressão como consequência da pandemia. “Tenho observado uma piora do grau da ansiedade das pessoas que já sofrem com a ansiedade e as que não tinham e agora começaram a desenvolver esse problema devido às incertezas e o medo provocados pela pandemia.”

Retorna as aulas presenciais e a síndrome da gaiola

A pesquisa “Educação não presencial”, realizada pela Datafolha revela que mais de 77% dos pais ou responsáveis  afirmaram que os estudantes estão tristes, ansiosos, irritados e sobrecarregados na pandemia e que 51% dos alunos estão desmotivados a estudar.

A resistência e a ansiedade em sair de casa podem estar relacionadas a uma síndrome que tem atingido a população em todo o mundo. “A síndrome da gaiola é caracterizada como aquele tempo  que ficamos presos por um longo período. Mas, quando a gaiola é aberta as pessoas não querem sair, porque elas se acostumaram com esse lugar e sentem-se confortáveis e seguras neste espaço.”

É o que tem acontecido com muitos pais e estudantes no retorno às  aulas presenciais. Não se sentem seguros, principalmente, com a realidade em Minas Gerais, onde mais de 34 mil pessoas já morreram pelo Covid-19.

A psicóloga, Patrícia Viegas, orienta os pais a reconhecerem a síndrome da gaiola e dá dicas de como eles podem ajudar os filhos no retorna às aulas. “É necessário que esse sair da gaiola, ir à escola,  respeite o ritmo da pessoa para não causar traumas maiores. Ou seja, realizar um tratamento na linha cognitiva-comportamental em que vamos trabalhar, pensamentos, sentimentos e reações e aos poucos conseguir com que o indivíduo saia da gaiola sem traumas.”

A psicóloga também fala dos desafios que os trabalhadores têm enfrentado na volta presencial de suas atividades na empresa. “Muitos trabalhadores vão viver a síndrome do estresse pós-traumático e ela precisa ser tratada. As empresas podem cooperar com a saúde do colaborador utilizando a psicologia na empresa,  para que ele possa produzir melhor.”


Foto Pixabay

 

Patrícia Viegas – Foto Guilherme Viegas

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