Belo Horizonte recebe a Mostra Ecofalante _ 69 Filmes de 26 países_ 9 a 31/8

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Uma celebração dos 40 anos do clássico filme “Koyaanisqatsi”, uma Mostra latino-americana com 34 títulos, uma homenagem ao diretor e ator Jacques Perrin, um amplo panorama internacional recente, o concurso de curtas-metragens brasileiros assinados por estudantes e sessões especiais.

Este é o rico cardápio da Mostra Ecofalante de Cinema, que chega  a Belo Horizonte, de 9 a 31 de agosto. A programação está sendo apresentada na capital mineira simultaneamente à 11ª edição do evento, que acontece na cidade de São Paulo até 17 de agosto.

Totalmente gratuito, a Mostra, considerada como o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado às temáticas socioambientais, ocupa as telas do Cine Santa Tereza, Sesc Palladium e do Centro Cultural UFMG e mais nove Centro Culturais Municipais, exibindo um total de 69 filmes, representando 26 países.

 A Mostra abre no dia 2/8,  terça-feira, às 19h com “O Território”, filme vencedor do prêmio especial do júri e do público no Festival de Sundance deste ano, numa sessão no Cine Santa Tereza (aberta ao público). O filme fala da luta do povo indígena Uru-eu-wau-wau, em Rondônia, e de ativistas como Neidinha Suruí para proteger a terra indígena e a floresta da invasão por grileiros. Produzido por Daren Aronofsky (diretor de “Réquiem para um Sonho” e “Mãe!”), o longa é dirigido pelo norte-americano Alex Pritz

A seção Panorama Internacional Contemporâneo está organizada nos eixos Ativismo, Biodiversidade, Economia, Emergência Climática, Povos & Lugares e Trabalho, além de sessões especiais. Estão incluídos filmes laureados em grandes eventos internacionais, como “Território”, premiado em Sundance, “Mil Incêndios”, premiado no festival de Locarno, e os indicados ao Oscar “Ascensão” e “Escrevendo com Fogo”. O Panorama promove ainda a exibição especial do elogiado “Geração Z”, de Liz Smith.

Clássico contemporâneo e marco do cinema socioambiental, o longa “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio, é celebrado pelo evento, por ocasião dos 40 anos de sua realização.

Uma projeção especial é dedicada a “Adeus Capitão”, mais recente longa do cineasta Vincent Carelli. Com registros colhidos ao longo de várias décadas, é o fecho de trilogia composta ainda pelos premiados “Corumbiara” e “Martírio”.

Já a Homenagem a Jacques Perrin (1941-2022), ator conhecido pelo seu trabalho no longa “Cinema Paradiso”, exibe quatro de seus sucessos, um como produtor (“Microcosmos”) e três como codiretor: “As Estações”, “Oceanos” e o indicado ao Oscar de melhor documentário “Migração Alada”.

Na Competição Latino-americana participam o argentino “Esqui”, prêmio da crítica na seção Fórum do Festival de Berlim, e “A Montanha Lembra” (Argentina/México), ganhador da competição internacional de curtas do É Tudo Verdade. Participam também da seção obras premiadas no Bafici-Buenos Aires (“A Opção Zero”, uma coprodução Cuba/Colômbia) e no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (“Rolê – Histórias dos Rolezinhos”, de Vladimir Seixas, “Lavra”, de Lucas Bambozzi, e “Ocupagem”, de Joel Pizzini).

No Concurso Curta Ecofalante estão reunidos curtas-metragens cujos temas dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e são assinados por alunos de instituições de ensino brasileiros. Participam produções da Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Na programação do Cine Santa Tereza, agendada de 9 a 31 de agosto, estão títulos das mostras Panorama Internacional Contemporâneo (com os eixos Ativismo, Biodiversidade, Economia, Emergência Climática e Trabalho), Homenagem a Jacques Perrin e Competição Latino-americana. E o cinema sedia ainda as sessões especiais de “Koyaanisqatsi”, “Geração Z”, “Beleza Tóxica”, do infantil “Zarafa” e dos brasileiros “Adeus, Capitão” e “Lixo Mutante”.

Já no Sesc Palladium, de 11 a 25 de agosto, o público pode assistir a obras das seções Panorama Internacional Contemporâneo (com os eixos Ativismo, Biodiversidade, Emergência Climática e Povos & Lugares), Competição Latino-americana e Concurso Curta Ecofalante. Em agosto, as atividades do Programa Educativo do Sesc Palladium incluem produções socioambientais disponibilizadas pela Mostra Ecofalante de Cinema.

Por sua vez, o Centro Cultural UFMG apresenta, de 22 a 31 de agosto, filmes do Panorama Internacional Contemporâneo (com os eixos Emergência Climática e Trabalho) e da Competição Latino-americana, além de sessões dos longas-metragens “Geração Z” e “Krenak” e do curta “Mineiros”. Também o Educativo do centro cultural exibe títulos selecionados pela Mostra Ecofalante de Cinema.

Criada em 2002 e dirigida por Chico Guariba, a Mostra Ecofalante de Cinema é uma realização da ONG Ecofalante. O site oficial do festival, com informações da programação, pode ser acessado pelo endereço www.ecofalante.org.br.  

A itinerância da Mostra Ecofalante de Cinema em Belo Horizonte é viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio da Basf, apoio da IHS Brasil, apoio cultural da Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura de Belo Horizonte e apoio institucional do Centro Cultural UFMG – Projeto Cine Centro, do Programa Ecofalante Universidades, da Embaixada da França e do Instituto Goethe. É uma produção da Doc & Outras Coisas e coprodução da Química Cultural. A realização é da Ecofalante e da Secretaria Especial de Cultura e do Ministério do Turismo.

serviço:

Mostra Ecofalante de Cinema

www.ecofalante.org.br

de 9 a 31 de agosto de 2022

gratuito

Centro Cultural UFMG – avenida Santos Dumont 174, Centro – Belo Horizonte

Cine Santa Tereza – Rua Estrela do Sul, 89 – Santa Tereza. – Belo Horizonte

Sesc Palladium –  rua Rio de Janeiro 1046, Centro – Belo Horizonte

Centro Cultural Bairro das Indústrias – Rua dos Industriários, 289 – Bairro das Indústrias

Centro Cultural São Bernardo – Rua Edna Quintel, 320 – Bairro São Bernardo

Centro Cultural Vila Santa Rita – Rua Ana Rafael dos Santos, 149 – Vila Santa Rita

Centro Cultural Vila Fátima – Rua São Miguel Arcanjo, 215 – Vila Nossa Senhora de Fátima

Centro Cultural Urucuia – Rua W3, 500 – Bairro Urucuia

Centro Cultural Pampulha – Rua Expedicionário Paulo de Souza, 185 – Bairro Urca

Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira – Av. Antônio Carlos,821- Bairro São Cristóvão

Centro Cultural Jardim Guanabara – Rua. João Álvares Cabral, 277 – Bairro Jd.Guanabara

Centro Cultural Lindeia Regina – Rua Aristolino Basílio de Oliveira, 445 – Bairro Regina

Realização: Ecofalante, Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo

 

redes sociais

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*** SAIBA MAIS SOBRE A PROGRAMAÇÃO ***

Especial 40 Anos de “Koyaanisqatsi”

Celebrando os 40 anos de “Koyaanisqatsi”, a Mostra Ecofalante de Cinema exibe este hipnotizante longa-metragem, um verdadeiro marco do cinema socioambiental.

Lançado no Festival de Berlim, é o filme de estreia do diretor norte-americano Godfrey Reggio. Trata-se de um ensaio de imagens visuais e som que narram o impacto destrutivo do mundo moderno no meio ambiente. Impressionou público e crítica por procurar trazer um retrato sobre o nosso planeta, a natureza e a civilização sem ousar dizer uma palavra. Tem grande destaque sua impactante trilha musical, assinada por Philip Glass, um dos compositores mais influentes do final do século 20.

Reggio posteriormente realizou obras que continuaram essa proposta, como “Powaqqatsi” (1988), “Anima Mundi” (1991) e “Naqoyqatsi” (2002).

Sessão Especial de “Adeus Capitão”

Filmado ao longo de 25 anos, “Adeus, Capitão” (2022), marca o capítulo final de uma trilogia desenvolvida pelo cineasta – e também antropólogo e indigenista – Vincent Carelli, que já rendeu os elogiados e premiados “Corumbiara” (2009) e “Martírio” (2016).

Codirigido com Tatiana Almeida, o novo longa do realizador reflete sobre males da aculturação nas populações indígenas no Brasil ao apresentar 70 anos de registros do povo Gavião, partindo do primeiro contato dos então isolados indígenas com os “kupên” (brancos).

A obra tem como protagonista o “Capitão” Krohokrenhum, que conta para suas netas a sua história. Finalizado após a morte do Capitão, o filme é a devolução póstuma destes registros. Krohokrenhum deixa sua sombra e conduz, em canto solo, as novas gerações.

Panorama Internacional Contemporâneo

Reunindo um total de 46 produções, representando 22 países, o Panorama Internacional Contemporâneo está organizado nos seguintes eixos temáticos: “ativismo”, “biodiversidade”, “economia”, “emergência climática”, “povos & lugares” e “trabalho”.

No eixo “emergência climática” está “Uma Vez Que Você Sabe” (2020), do documentarista Emmanuel Cappellin. Trata-se de um alerta: para um grupo de cientistas, a oportunidade de evitar mudanças climáticas catastróficas já passou. A obra, exibida em eventos na Itália, Reino Unido e Hong Kong, coloca a pergunta: como se adaptar ao colapso?

Vencedor do prêmio especial do júri e prêmio do público no Festival de Sundance, entre outras láureas, “O Território” (2022) fala da luta do povo indígena Uru-eu-wau-wau, em Rondônia, e de ativistas como Neidinha Suruí para proteger a terra indígena e a floresta da invasão por grileiros. Produzido por Daren Aronofsky (diretor de “Réquiem para um Sonho” e “Mãe!”), o filme é dirigido pelo norte-americano Alex Pritz e participa do eixo “ativismo” do Panorama Internacional Contemporâneo. Na mesma programação está “Escrevendo Com o Fogo” (2021), sobre o primeiro e único jornal diário da Índia dirigido por mulheres. Sua equipe tem quebrado tradições, seja na linha de frente da cobertura dos maiores problemas do país ou dentro de suas casas. Dirigido por Rintu Thomas e Sushmit Ghosho filme foi vencedor do prêmio do público e prêmio especial do júri no Festival de Sundance, tendo ainda sido eleito como melhor documentário no Festival de São Francisco. No mesmo eixo curatorial está presente também

“Animal” (2021) é a mais recente obra do diretor – e conhecido escritor – francês Cyril Dion, que conquistou reputação internacional com “Amanhã” (2015), documentário que levou mais de um milhão de franceses ao cinema. Aqui, ele aborda, a partir de dois jovens ativistas, uma geração convencida de que seu futuro está em perigo. O longa foi lançado no Festival de Cannes e integra o eixo “biodiversidade” do Panorama Internacional Contemporâneo. Na mesma seção está “Birds of America” (2021), de Jacques Loeuille, selecionado para o Festival de Roterdã, na Holanda. O longa focaliza a obra do naturalista John James Audubon (1785-1851), que revolucionou o mundo da ornitologia com seu livro antológico “Birds of America”. É ainda um alerta ao mostrar o quanto nessa área foi perdido em um tempo relativamente curto pela industrialização, ganância e indiferença.

No eixo curatorial “economia” estão “Ascensão”, de Jessica Kingdon, e “A Rota do Mármore”, de Sean Wang. Indicado ao Oscar de melhor documentário, “Ascensão” (2021) oferece um impressionante retrato do “Sonho Chinês”, expressão cunhada pelo Secretário-Geral do Partido Comunista e presidente da China Xi Jinping. A obra expõe a busca paradoxal por riqueza e progresso na China do século 21. Já “A Rota do Mármore” (2021) percorreu os mais prestigiosos festivais internacionais de documentários – como IDFA-Amsterdã, Visions du Réel (Suíça), CPH:DOX (Dinamarca) e Hot Docs (Canadá). O documentário acompanha a odisseia do mármore branco, extraído em larga escala na Grécia e cujo consumo global é impulsionado pelo mercado interno chinês. É também uma investigação sobre o papel da China enquanto “compradora do mundo”.

 

Eleito como o documentário mais inovador do ponto de vista estético-formal da Semana da Crítica do Festival de Locarno, “Mil Incêndios” (2021), do cineasta palestino-britânico Saeed Taji Farouky, conta a história de uma família de Mianmar que pratica a extração manual de petróleo. A obra está incluída no eixo “povos & lugares” do Panorama Internacional Contemporâneo da Mostra Ecofalante de Cinema.

No eixo curatorial “trabalho”, destacam-se duas produções.  “The Gig Is Up: O Mundo É uma Plataforma” (2021) traz à tona as histórias dos trabalhadores por trás dos trabalhos da economia GIG, que engloba as formas de emprego alternativo. São milhões de pessoas atuando desde os serviços de entrega de comida e transporte por aplicativo até a marcação de imagens para a inteligência artificial. Dirigido pela canadense Shannon Walsh, o longa percorreu o circuito internacional de documentários, sendo exibido nos prestigiosos festivais IDFA-Amsterdã, Hot Docs (Canadá), CPH:DOX (Dinamarca) e Docufest (Kosovo). “Regresso a Reims (Fragmentos)” é um elogiado estudo sociológico da classe trabalhadora francesa nos últimos 70 anos. A atriz e ativista LGBTQIA+ Adèle Haenel (premiada no Festival de Berlim) é responsável pela interpretação dos textos incluídos no filme, que participou da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Seu diretor, Jean-Gabriel Périot, assina 28 títulos a partir de 2000, incluindo “Nos Défaites” (2019), vencedor do Prêmio C.I.C.A.E. no Festival de Berlim.

Em programação especial, está incluída ainda no Panorama Internacional Contemporâneo uma produção reconhecida planetariamente: “Geração Z” (2021), de Liz Smith. O filme examina como a revolução digital está impactando nossa sociedade, nosso cérebro e nossa saúde mental. E como as forças que a impulsionam estão trabalhando contra a humanidade e nos colocaram em uma trajetória perigosa que tem enormes ramificações para esta primeira geração crescendo com a tecnologia digital móvel.

Homenagem a Jacques Perrin

 

Mostra Ecofalante de Cinema promove homenagem ao ator e diretor francês Jacques Perrin, falecido no último mês de abril, aos 80 anos. Conhecido pelo papel de Totó em “Cinema Paradiso” (1988), Perrin participou de mais de 130 filmes e séries ao longo da carreira, incluindo uma indicação ao Oscar por “Z” (1969). Mas ele também se transformou em ardoroso defensor da natureza e foi responsável por produções que encantam amplas plateias mundo afora. Todos os três longas-metragens que dirigiu e um que produziu estão incluídos na programação do evento.

Indicado ao Oscar de melhor documentário, “Migração Alada” (2001), uma codireção de Perrin com Jacques Cluzaud e Michel Debats, acompanha a migração de diversas espécies de pássaros, de todos continentes do planeta. Já “Oceanos” (2009) revela diversos mistérios escondidos nas águas, hábitos de vida das criaturas marinhas e os perigos que as cercam.

Exibido com sucesso na Mostra Ecofalante de Cinema, em São Paulo, em 2018, “As Estações” (2015) refaz a história da floresta europeia desde o final da última era glacial até nossos dias, abordando a questão das convulsões causadas pelas atividades humanas. Uma fascinante viagem pela natureza microscópica, “Microcosmos” (1996) foi produzido por Perrin – que é também narrador, ao lado da atriz indicada ao Oscar Kristin Scott Thomas. A obra foi vencedora do grande prêmio técnico no Festival de Cannes e do prêmio do público no Festival de Locarno.

Competição Latino-Americana

São projetadas em Belo Horizonte um total de 32 produções participantes da Competição Latino-americana da Mostra Ecofalante de Cinema. Os 13 longas e 19 curtas-metragens representam cinco países da região: Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba e México.

Um dos destaques da Competição Latino-americana é “Lavra”, longa-metragem de Lucas Bambozzi premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e selecionado para o IDFA-Amsterdã, o mais importante festival internacional de documentários. Já “A Praia do Fim do Mundo”, do cearense Petrus Cariry, aborda o avanço do mar que destrói casas e desabriga famílias, tendo acumulado premiações no Cine Ceará e no Fest Aruanda. “A Mãe de Todas as Lutas”, de Susanna Lira, também exibido no Fest Aruanda,  acompanha a trajetória de Shirley Krenak e Maria Zelzuita, mulheres que estão à frente da luta pela terra no Brasil. Por sua vez, Joel Pizzini acompanha, em “Ocupagem”, o escritor brasileiro Julián Fuks quando este retorna à Ocupação 9 de Julho, em São Paulo.

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