Empreendedora social Camila Chiari Pentagna Guimarães começa hoje a pré-venda do livro Outros horizontes

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“O livro trata de registros do que aconteceu na vida de nossos heróis anônimos durante este período, que será para sempre lembrado como um dos mais difíceis da história de nosso planeta.” (Camila Chiari)

A empreendedora social Camila Chiari Pentagna Guimarães começa a pré-venda do seu livro Outros horizontes: O impacto da Covid-19 em comunidades de Belo Horizonte, hoje, 14 de dezembro. O trabalho convida o leitor a conhecer a realidade do que acontece por detrás dos “muros invisíveis” que construímos ao nosso redor. Quem quiser adquirir a obra durante os dias 14 e 15 de dezembro, no site www.camilachiari.com.br terá frete grátis. O livro impresso será lançado no dia 21 de dezembro.

 

Há mais de 10 anos em atividades do terceiro setor, Camila Chiari, em meio ao caos e ao terror criado pela Covid-19 realizou em suas redes sociais uma campanha para doação de marmitas.  “Eu e meus amigos conseguimos entregar 5.000 marmitas em 20 comunidades espalhadas por Belo Horizonte e foi a partir desta ação que nasceu a ideia do livro, do meu desejo de descrever em palavras a realidade de comunidades que sofreram o impacto do vírus e suas consequências ramificadas em praticamente todas as áreas da vida. Um olhar leigo de quem conheceu os sentimentos que estão por trás daqueles que muitos só conhecem por manchetes de jornal “, explica a escritora.

 

 

Transpondo o “muro”  – alguns relatos

 

Ao transpormos o “muro invisível” que criamos, Camila conheceu pessoas, que , mesmo passando por dificuldades acachapantes e ainda piores com a pandemia, contaram suas histórias de muito sofrimento, mas também de superação. Durante uma leitura leve e envolvente ao longo dos 14 capítulos, temos o privilégio de conhecer muitos personagens não tão distantes em distância, mas da realidade de muitos como é o caso de Jaqueline Rodrigues de Souza, moradora da comunidade do Morro das Pedras. Trabalhava com transporte escolar e com o fechamento das escolas perdeu sua fonte de renda. Ela transmutou o próprio sofrimento e preocupação em uma ação solidária. Criou uma banca de alimentos onde os próprios moradores ofertam o que têm e recolhem o que necessitam. Desta forma todos se ajudam. “Até nas coisas ruins tiramos proveito para as coisas boas”, conclui Jaqueline.

 

Já Nathalia Beatriz, quilombola, filha de Patrícia, nascida e criada na Comunidade dos Arturos, um dia, quando criança, ao chegar da escola, disse para a mãe que queria ‘tomar banho de leite para ficar branca’. Ela falou que a amiga a chamou de preta do cabelo feio. Bia, como é carinhosamente chamada pela mãe, aprendeu que não devemos criar ressentimentos. Não se abateu mais , agora, aos 21 anos, cursando faculdade, não liga  para as frases racistas que continua ouvindo. Afinal: “A pandemia não distinguiu cor, classe social, nada… Morreram brancos, pretos, pobres, milionários. O coronavírus veio para o mundo, não foi só aqui no Brasil, e veio para que parássemos um pouco. Você pode ter todo o dinheiro do mundo, mas o seu dinheiro não vai te salvar. Às vezes, eu não tenho nada e eu vou me salvar”, conclui Bia.

 

No Morro das Pedras o viúvo e encarregado de eletricista aposentado Walter Pinto Godoi, se preocupa muito com a saúde da mãe com mais de 90 anos. Ele só sai de casa para fazer o que for estritamente necessário: “Rezo todos os dias para Deus ajudar pra ver se a gente passa essa fase ruim”. O maior medo dele é de não poder velar e enterrar os seus: “Não tem tanto buraco para enterrar o tanto de gente que está morrendo, não. Nem sei como é que eles fazem…”

 

Alexandre Gomes da Silva, o “Xandão” da comunidade Barragem Santa Lúcia, insiste que a sociedade veja os moradores dos aglomerados como pessoas que têm coração e sentimentos. Ele pede para que os enxerguem sem preconceitos, acreditem e tenham esperança em relação ao futuro dos moradores. Segundo Alexandre, quem está de fora pensa que é loucura quem mora aqui dentro. “Eles pensam que a gente é atrasado no tempo. Aqui tem universitários, tem pessoas formadas, tem empresários. Pessoas que têm uma vida boa e nem querem sair daqui. Porque aqui todo mundo conhece todo mundo. Se você viajar e dar um “toque” no seu vizinho, ele sabe quem é estranho. Aqui a gente tem essa segurança. Moro aqui há 10 anos e não troco por outro lugar”, afirma “Xandão”.

 

Dona Lichida, da comunidade São Gabriel diz que se sem o coronavírus a vida já era difícil, agora está mais difícil ainda. “Antes, a gente tinha pelo menos liberdade para sair, até mesmo para chorar em outro canto, agora não podemos mais. Estamos presos em uma situação que já era deprimente. A gente vive oprimido aqui dentro”.

 

 

 

Nota da escritora

 

“Que possamos derrubar os muros que nos separam e passemos a construir pontes que possam nos conduzir ao outro. Esta obra foi direcionada àqueles que se interessam pelo terceiro setor, e espero que ter alcançado também aqueles que agora passarão a se interessar. Me alegro em dizer que em nossa jornada o caminho não foi só de ida, pois uma vez que vivemos uma real experiência de troca, é impossível voltar para o ponto de partida. Seguramente em algum momento, a humanidade vencerá o Covid-19, mas outros inimigos citados ao longo do livro continuarão a fazer vítimas diante do silêncio da sociedade. Que a nossa voz ecoe a favor daqueles que não são ouvidos. Que não sejamos alheios ao sofrimento do outro”, finaliza Camila que já está em fase de pesquisa sobre o segundo livro, sem abandonar os outros projetos do terceiro setor.

 

 

“Que aquele que não amou possa amar,

Que aquele que amou possa amar mais,

Que o perdão possa ser liberado

Que possamos a cada dia ser pessoas melhores,

Que a família seja mais valorizada,

Que olhemos mais para o próximo,

Que tenhamos mais compaixão e paciência… Mais amor ao falar e mais paciência ao ouvir”

 

(Alexandre Gomes da Silva, o “Xandão” da comunidade Barragem Santa Lúcia)

 

Para “finalizarmos esta jornada” e conhecermos todas as histórias que foram meses de imersão na vida de diferentes comunidades, relatos e escritas, enquanto o vírus avançava e fazia vítimas em todo o mundo:

Preço sugerido R$58,00

 

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