Antes da festa de Iemanjá, sacerdotes do candomblé fazem rituais para atrair boas energias

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Quem passa pelo Rio Vermelho desde ontem sente que o clima por ali é de preparação e devoção. Barracas ofertando pequenas esculturas de Iemanjá, flores, colares e alfazema atraem soteropolitanos e turistas à praia da Paciência.

Sacerdotes do candomblé, à beira das escadarias que dão acesso ao mar, batem folhas nos corpos dos devotos, com o objetivo, segundo eles, de atrair axé, boas energias, paz e prosperidade. Enquanto isso, pais, mães e filhos de santo, adeptos da umbanda e do candomblé, praticam rituais e lançam oferendas. E um grande número de fiéis, descalços sobre a areia, se ajoelham em frente ao mar em forma de agradecimento.

Toda devoção é por conta da festa de Iemanjá, conhecida como Rainha do Mar, que acontece hoje, mas já começa a ser adiantada por fiéis e devotos como a aposentada Edna Maria, 87 anos, que, por conta da idade, prefere a calmaria do domingo às ruas cheias durante a festa do Orixá. “Todos os anos venho agradecer, pedir proteção e bênçãos para meus filhos e netos. É uma tradição”, diz a aposentada que levou, em um barco, flores para Iemanjá. “São bonitas e não poluem”.

As homenagens antecipadas também são feitas por quem não pode comparecer no dia da festa devido a outros compromissos. É o caso da professora Nanci Melo, 61, que reservou o domingo para o ritual. “Vim aqui fazer minhas orações, agradecer e pedir mais um pouco porque a gente nunca está satisfeita com o que tem”, conta.

Segundo a Polícia Militar, o número de participantes, amanhã, deve ultrapassar um milhão. O motivo é a quantidade de turistas que já está na cidade por causa do Carnaval. De acordo com a Empresa Salvador Turismo (Saltur), a programação começa por volta de 3h, quando um grupo vai ao Dique do Tororó levar a oferenda de Oxum, Rainha da Água Doce. “A gente faz a oferenda para Oxum não ficar com ciúmes de Iemanjá”, explica o presidente da Colônia de Pescadores Z1, Marcos Souza.

Por volta das 5h, a alvorada de fogos anuncia o início da festa no Rio Vermelho. É nesse momento que todos conhecem o principal presente dos pescadores ao orixá, que ficará exposto na Colônia de Pescadores, em torno da qual se concentram as homenagens.

“Posso adiantar que vai ser um animal marinho ameaçado de extinção. É uma forma de conscientizar a população numa festa como essa, em que a sujeira é lançada ao mar sem preocupação”, alertou o presidente, que diz orientar os devotos a depositarem no mar apenas presentes biodegradáveis. Lagosta, tartaruga e golfinho foram alguns presentes dos pescadores em outros anos.

De acordo com a Colônia de Pescadores, o presente principal sai às 15h30, numa galeota seguida por outras 300 embarcações, que levam entre 600 e 800 balaios com presentes depositados pelas pessoas ao longo do dia. São perfumes, brincos, espelhos e muitas flores. A casa de Iemanjá será aberta hoje para as pessoas que preferem adiantar seus presentes.

Hoje, às 18h, quando a casa de Iemanjá for fechada, começam as festas profanas. O cantor Carlinhos Brown vai tocar, de graça, das 14h às 15h30, no deck construído próximo ao Mercado do Peixe, com sua Bateria Sustentável formada por 100 percussionistas e 20 sopros. O trânsito e estacionamento de veículos ficam proibidos na região. O acesso dos moradores será garantido com comprovação de endereço.

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