Em vez de hobby, trabalho sério: Gastronomia

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Encontrar um apaixonado por cozinha não é difícil. Mas para muitas pessoas, a gastronomia deixou de ser um hobby para se tornar coisa séria e uma segunda profissão – isso quando não toma um espaço tão grande na vida e passa a ser total prioridade.

André Barreto é um exemplo de quem teve a vida transformada pela paixão pela gastronomia. Ele é relações públicas e, aos 26 anos, trabalha no setor de comunicação de uma grande empresa automobilística. Isso poderia ser suficiente para a realização pessoal e profissional, mas ele quis ir além.

Apaixonado por cozinha e tudo que envolve o universo da gastronomia, decidiu dividir com as pessoas o seu conhecimento e criou o blog de receitas “Cozinhe para Ela”. Um ano depois da estreia como blogueiro, ele já tem 6 mil seguidores no Instagram e 90 mil acessos ao site. Recentemente, lançou um canal de vídeos no Youtube, com receitas rápidas e fáceis, desenvolvidas pensando em homens que desejam conquistar ou agradar namoradas, esposas e paqueras. A partir daí, a dedicação de André à gastronomia passou a ser intensa.

“O gosto pela cozinha em da infância, quando via meu pai cozinhando. Sempre fui referência para os amigos, que vinham me pedir dica de receitas, de vinhos para um jantar, de um lugar especial para levar a namorada. Aí pensei: por que não colocar na internet essas dicas que passo para eles?”, conta André, que ainda não possui formação em gastronomia.

Para homens

O público-alvo de sua produção é formado por homens modernos, de 25 a 50 anos, que gostam de vinhos e cervejas artesanais e sabem quanto é gostoso cozinhar pratos simples e rápidos em encontros românticos ou reunião de amigos. “Eu cozinho de avental e não com um dólmã de chef. Quero aproximar a gastronomia das pessoas, mostrar que todos podem cozinhar coisas interessantes”, afirma o blogueiro belo-horizontino.

Em meio a tantos blogs de gastronomia presentes na internet, André buscou um diferencial. “Uso ingredientes que você encontra em qualquer supermercado. Com amor e carinho, é possível fazer boas combinações no prato”.

Jornalista se tornou quitandeira

A intensa curiosidade e inquietação de Iara Rodrigues fez a moça estudar Jornalismo – com direito a intercâmbio no Japão e em Portugal. Ao voltar do exterior, percebeu que sua felicidade não estava na comunicação, mas em frente a um fogão.

“Um dia, almoçando no interior, meu irmão teve a ideia de criarmos um negócio para resgatar as quitandas feitas por nossa mãe. Naquele momento, anotei o nome em um papel: Quitand’arte”, lembra Iara, nascida em Bom Despacho.

Anos depois, a ideia foi colocada em prática. Iara e seu irmão, Rafael, abriram um empório de quitutes caseiros na rua Antônio de Albuquerque. Deu tão certo, que três anos depois da inauguração, a intenção deles é ampliar o negócio. “Ficamos em um espaço pequeno, onde também produzimos tudo. Queremos uma casa maior, mas que seja na Savassi”, diz Iara, que também estudou Gastronomia no Senac.

Busca

Aos 26 anos, ela acredita que está se dedicando à sua verdadeira vocação. “Descobri que a minha inquietude não era pela busca da verdade no jornalismo, até porque isso nunca alcançaria. A minha busca era por ser feliz. Entendi que ficar 19 horas em uma cozinha é a minha felicidade. Uma satisfação que dinheiro não paga”.

Iara tem tentado se especializar em recriar receitas tradicionais de quitandas. Um exemplo é a sua bala de mel, feita com 0% de açúcar. O doce está somente no mel. “Trabalhamos com a memória de quem comeu as quitandas de verdade durante a infância”.

“Panelaterapia” é sucesso absoluto

Tatiana Romano é um caso clássico de quem encontrou o sucesso ao se dedicar à gastronomia. Em 2009, a psicóloga paulista decidiu criar o blog “Panelaterapia” como uma válvula de escape para o estresse do trabalho.

Em apenas um ano, já era um dos principais blogs do tema na internet. Hoje, são mais de 4 milhões de acessos mensais e Tatiana passou a se dedicar exclusivamente à gastronomia. Ela defende que a cozinha pode ser terapia para muitos outros. “Qualquer coisa que te dê prazer, te relaxe, te faça entrar em contato com seu conteúdo interior pode ser uma terapia, isso vale para pintura, dança, etc”, afirma Tatiana, que passou a se dedicar também a produzir livros de receitas.

Tati Romano

Tati Romano é sucesso na internet e nas livrarias

“A cozinha lida com todos os sentidos e como sempre foi uma atividade prazerosa para mim, sempre considerei uma terapia. A internet foi só um meio onde pude expressar o resultado final, mas a terapia mesmo é o ato de cozinhar”, completa.

Segundo ela, o nome “Panelaterapia” atrai muitas pessoas que também enxergam ares de terapia na gastronomia. “O conteúdo faz com que elas retornem depois, mas num primeiro momento o nome em si causa muito impacto e identificação”, diz.

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