Greve dos professores da Universidade Estadual de Montes Claros completa duas semanas

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Professores estão desde 2012 sem reajuste salarial; Desvalorização salarial chega a 50% em 10 anos

Completa duas semanas, nesta terça-feira (22), a greve dos professores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). A Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Montes Claros (Adunimontes) exige que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, cumpra a decisão judicial de 2018 que estipula a implementação do novo plano de carreira.

A sentença corrige distorções de progressão e promoção e equipara a carreira docente da Unimontes às demais carreiras docentes das Universidades Públicas brasileiras. A última vez em que a categoria teve reajuste salarial foi em agosto de 2012, de 5%. Ao todo, são 10 anos sem aumento e cerca de 50% de desvalorização salarial no período.

“Queremos o cumprimento da decisão judicial do acordo de greve de 2018, que prevê a incorporação de gratificações, aumento da dedicação exclusiva para alguns professores que optem por essa forma de trabalho e o novo plano de carreira”, explica Maria da Penha Brandim, presidente da Adunimontes.

Desde a última terça-feira (8), os professores decidiram, por unanimidade, paralisar os trabalhos até que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, cumpra a decisão judicial de 2018 que estipula a implementação do novo plano de carreira, corrige distorções de progressão e promoção e equipara a carreira docente da Unimontes às demais carreiras docentes das Universidades Públicas brasileiras. A última vez em que a categoria teve reajuste salarial foi em agosto de 2012, de 5%. Ao todo, são 10 anos sem aumento e cerca de 50% de desvalorização salarial no período.

Os professores também reivindicam a incorporação das gratificações de titulação, desempenho e demais auxílios ao salário base, propiciando assim que não haja perda salarial em caso de afastamento por licença médica e nas aposentadorias. Eles também exigem o reajuste do percentual pago pela Dedicação Exclusiva de 40% para 50% e o pagamento das Dedicações já publicadas, além da recolocação funcional de profissionais que pediram mudança de carga horária de 20h para 40h semanais.

“Muitos dos docentes trabalham em regime de 60 horas semanais, a fim de conseguir suprir a necessidade de complementação salarial, trabalhando em regime de Dedicação Exclusiva sem receber por ele”, afirma Maria da Penha. “Em muitos casos, para compor a carga horária de 60 horas semanais, o docente é obrigado a assumir um conjunto grande de aulas, o que impede uma produção de qualidade nas áreas de pesquisa e de extensão, importantes para o desenvolvimento da Universidade”, complementa.

A Adunimontes lembra também que, ao longo da pandemia de Covid-19, os docentes mantiveram suas atividades regulares de trabalho sem nenhum auxílio do Governo ou da Unimontes. “Os professores arcaram com os gastos com internet, computadores, web-cams, plataformas, dentre outros recursos, a fim de conseguirem manter as atividades funcionais, as aulas e o controle de suas atividades de pesquisa e extensão. Não houve digitalização de livros, empréstimo de computadores, auxílio financeiro no pagamento que auxiliasse a classe nesse momento complicado de pandemia”, lembra a presidente da Adunimontes.

Por fim, muitos docentes da Unimontes residem em Montes Claros pelo fato de ser nessa cidade que se concentra a maior parte das atividades administrativas da Universidade. Por ministrarem aulas em mais de um campus, precisam se deslocar e não conseguem, em função da logística de trabalho, residirem em outras cidades que não Montes Claros. Desde 2019, a Unimontes suspendeu o transporte dos professores que agora precisam custear as passagens para exercer seu trabalho fora da sede. “Com a atual defasagem salarial, os altos gastos com os transportes se tornam um impedimento para que as atividades docentes sigam com a mesma qualidade nos campi fora da sede”, finaliza Maria da Penha.

Cronograma de atividades da greve

Na segunda-feira (21), artistas, músicos e professores se uniram às 19h, no Hall do CCH da Unimontes, para o ato “Arte greve! Porque é grave!”, com performances, poemas e contação de histórias ao som de Jukita Queiroz, Edssada, Gabriel Reis, Leni Jr, Nicole Leão, Pedro T e Thiago Loyola.

Na quinta-feira (17), os docentes participaram de uma audiência Câmara Municipal de Montes Claros, onde eles puderam expor para a população e para o legislativo municipal as razões da paralisação, bem como sensibilizar a todos.

Na quarta-feira (16), os professores se reuniram com a gestão da Unimontes. Ao longo de quatro horas, foram discutidas as condições estruturais, de trabalho e segurança sanitária de retorno às aulas, transporte dos docentes aos campi, a decisão judicial do Acordo de Greve e a não retaliação aos grevistas. Apesar da abertura para o diálogo e o esclarecimento de alguns pontos pela reitoria, a reunião foi pouco produtiva. Embora a gestão tenha dito apoiar as pautas internas e externas da greve, não houve qualquer ação mais resolutiva.

Na segunda (14), dezenas de professores fizeram um protesto em frente à sede da Universidade, com direito a panfletagem e buzinaço. Os docentes também promoveram um ato na noite de ontem entre os prédios do Centro de Ciências Humanas (CCH) e do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA).

Sindicato Nacional dos Docentes apoia luta dos professores da Unimontes

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) emitiu nota em apoio à luta dos professores e das professoras da Unimontes, na qual endossa que “manifesta seu total apoio à luta das professoras e dos professores da Universidade Estadual de Montes Claros – MG (Unimontes) que por meio de assembleia organizada pela Adunimontes, seção do Andes-SN naquela universidade, realizada em 08 de março de 2022 deflagraram greve para exigir que o governador Romeu Zema (Novo) cumpra o acordo judicial do estado de Minas Gerais com a categoria. O acordo prevê a incorporação de duas gratificações ao salário base, o aumento das Dedicações Exclusivas e um novo plano de carreira”.

Entidades publicam manifesto em apoio à greve e à luta na Unimontes

“Manifestamos nosso apoio à greve, entendendo que a universidade precisa ser radicalmente transformada. A universidade precisa cumprir um papel decisivo nesse cenário de agravamento da situação de miséria, fome, negacionismo e ataque à ciência. Precisa estar conectada com as implicações reais da luta popular, com a luta pela terra, com a luta urbana, da luta contra as opressões e com a luta contra a superexploração do trabalho. Uma universidade necessária como pensava Darcy Ribeiro: consagrada ao combate do subdesenvolvimento e da dependência. Uma Universidade Popular!”, traz um trecho do manifesto assinado, na sexta-feira (18), por 22 entidades, dentre elas a CUT, Frente Brasil Popular, Movimento Social da Educação Popular e Movimento Universidade Popular.

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