Quem é Rubens Menin: o novo dono da Rádio Itatiaia, a maior de Minas

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Brasília, 21/06/2017 A Incorporação Imobiliária na Perspectiva do STJ 2017 Sr. Rubens Menin - Presidente do Conselho da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias Foto - Gustavo Lima

O empresário Rubens Menin comunicou nesta quinta-feira (13) a aquisição de 100% da Rádio Itatiaia, fundada em 1952 e comandada por Emanuel Carneiro desde 1994. A venda da emissora já estava nos planos do radialista, que se diz lisonjeado por transferi-la a um mineiro de coração e origem, comprometido com a missão de perpetuar este legado de 70 anos. “Menin está determinado a dar continuidade ao jornalismo ético, que valoriza o esporte e dá voz para a sociedade”, disse Carneiro, que segue nas funções de apresentador e comentarista. Já Menin conta que a oportunidade de contribuir para a manutenção de um patrimônio tão valioso para o estado de Minas foi determinante para a aquisição. “É um orgulho seguir a missão da família Carneiro de engajar Minas Gerais e o Brasil por meio de um jornalismo sério e de qualidade”, declarou.

Para Menin, todos os valores e atributos responsáveis por posicionar a Rádio Itatiaia ao lado das emissoras radiofônicas mais relevantes do país, tornando-a referência em jornalismo, no esporte e como prestadora de serviços à sociedade, serão mantidos e somados aos parâmetros de governança corporativa, que são marcas do empresário. Para ele, a aquisição tende a ampliar ainda mais a potência e abrangência da emissora, que conta com a audiência de 900 mil ouvintes por dia e, nos últimos anos, conquistou espaço expressivo também no ambiente digital, ultrapassando a marca de um milhão de seguidores apenas no Twitter. Ainda segundo o empresário, um comitê de transição está sendo estruturado para que o processo seja o mais transparente e colaborativo possível, com base na escuta e respeito aos colaboradores, jornalistas da casa e parceiros.

Com 100% de participação na CNN Brasil, Menin esclarece que não existe qualquer relação entre a emissora de TV e a rádio Itatiaia, que, por sua vez, continuará prezando por um jornalismo ético e imparcial. “A rádio se tornou conhecida por dar voz aos ouvintes e cumprir um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e digna. É com este propósito que vamos seguir”, disse. A grade de programação, bem como as equipes permanecerão inalteradas.

A informação da compra foi divulgada nessa 4ª feira (12.mai.2021) pelo jornal Estado de Minas. De acordo com a publicação, os detalhes da transação serão divulgados nesta 5ª feira (13.mai).

Menin é sócio majoritário da CNN Brasil. Tem 65% do controle acionário. É fundador de 3 grandes empresas: MRV Engenharia (empreiteira que se fortaleceu depois de realizar obras para o programa Minha Casa Minha Vida, criado no governo Lula, em 2009), Banco Inter (instituição financeira digital que tem mais de 10 milhões de clientes) e Log Commercial Properties (empresa de locação de propriedades comerciais).

Somadas, têm valor de mercado de R$ 25 bilhões. A mais antiga é a MRV, fundada em 1979. Saiba mais sobre o empresário neste texto.

A Rede Itatiaia, fundada em 1952, é uma das emissoras de rádio mais tradicionais do Brasil. Segundo o site da rádio, sua programação é “voltada para jornalismo, esportes, prestação de serviços e entretenimento”.

Além da Rádio Itatiaia, a rede tem mais 4 emissoras em Minas Gerais, localizadas em Juiz de Fora, Montes Claros, Ouro Preto e Varginha.

Quem é Rubens Menin

Engenheiro, empresário, torcedor do Atlético Mineiro e patrocinador esportivo. Todas essas denominações servem para descrever Rubens Menin, mineiro de 64 anos que começou o seu império ao fundar, junto com sócios familiares, a MRV, em 1979.

Engenheiro civil de terceira geração na família, Menin decidiu se voltar para um ramo que era desprezado pelas demais construtoras na época: as moradias voltadas para o público de menor renda.

Ele mesmo já admitiu que esse era o segmento considerado o “patinho feio” no setor. E não era para menos, os primeiros anos da MRV foram em um Brasil que passou por diversas crises, internas e externas, e com pouco acesso a financiamento imobiliário.

“Nós éramos considerados o patinho feio. A indústria popular não dava dinheiro”, disse o empresário durante palestra promovida pela Endeavor Brasil.

Nesse cenário, as construtoras se concentravam em vender para as classes A e B, menos dependentes de crédito. Mas não a MRV.

A fase de maior crescimento da companhia veio em 2009, quando foi criado “Minha Casa, Minha Vida”, programa público que criou subsídios e taxas de juros mais baixas para o financiamento de habitações voltadas para a baixa renda.

Diversas incorporadoras criaram empresas direcionadas para atender esse segmento, mas muitas naufragaram diante das particularidades desse segmento.

Já a MRV (MRVE3), habituada com os custos e processos que envolvem moradias populares, nadou de braçada e se tornou a maior do segmento na Bolsa brasileira.

Atualmente, o valor de mercado da companhia é de cerca de R$ 8 bilhões, o que a coloca como uma das maiores incorporadoras de capital aberto do país.

A empresa é também a maior construtora da América Sul em vendas, segundo o ranking Global Powers of Construction, elaborado pela consultoria Deloitte.

Mas Menin não ficou apenas na incorporação de residências no Brasil. Ao longo dos anos, expandiu seus negócios para o segmento de galpões logísticos (Log LOGG3), banco (Inter BIDI3BIDI4 BIDI11), comunicação (CNN), loteamentos urbanos (Urbamais) e construção civil nos Estados Unidos (AHS).

Também fundou um instituto social e passou a apoiar iniciativas esportivas – especialmente seu clube, o Atlético Mineiro. Além disso, é um dos fundadores do movimento “Muda Brasil”, que se denomina apartidário e em defesa da boa política.

Um estagiário na construção

Quando adolescente, o caminho natural para Menin foi escolher o curso de engenharia civil. Ele concluiu sua formação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1978, mas sua experiência na área começou antes.

Aos 18 anos, garantiu um estágio em que supervisionava obras em áreas mais pobres da região metropolitana de Belo Horizonte. A semente para a MRV estava plantada.

A MRV foi fundada em 1979. Mário Lúcio Pinheiro Menin, seu primo, e a empresa Vega Engenharia Ltda estavam na empreitada. As primeiras casas de alvenaria foram entregues, dois anos depois, no bairro de Vila Clóris, em Belo Horizonte.

No final dos anos 90, a construtora tinha presença não só em Minas Gerais, mas também no interior paulista e na região Sul. A expansão continuou e, em 2007, a empresa aproveitou a onda de oferta públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) e abriu seu capital. Com recursos em caixa, estava pronta para crescer.

Desde sua inauguração até hoje, foram entregues mais de 300 mil habitações em 21 estados e o Distrito Federal.

Em 2014, Menin anunciou que deixaria a direção da empresa para se dedicar exclusivamente ao conselho de administração. A presidência é dividida entre seu filho, Rafael Menin, e Eduardo Fischer, sobrinho do empresário.

A expansão no mercado financeiro

Além da MRV, Menin é fundador do Banco Inter. A instituição foi lançada em 1994 como Intermedium, limitada a uma operação regional e com apelo no mercado imobiliário, como a oferta de empréstimos garantidos por imóveis. Agora, o banco se transformou na maior companhia da família.

A expansão teve início com uma série de mudanças de regulação feitas pelo Banco Central, que estimularam o surgimento de bancos digitais e levaram o banco a transformar a estratégia, dando início ao Inter.

A mudança do nome veio em 2017 e o IPO no ano seguinte. Atualmente, o valor de mercado do Inter é de R$ 13 bilhões. A instituição tem como presidente João Vitor Menin, outro filho do fundador da MRV.

IPO do Banco Inter
Rubens Menin (esq) e executivos do Banco Inter no dia do IPO (Crédito: B3/Divulgação)

Dos três filhos que Menin tem com sua mulher Beatriz, a única que não está atualmente em nenhuma função executiva nas empresas da família é a filha mais velha, Maria Fernanda. Ela já foi diretora jurídica da MRV, mas atualmente atua nos conselhos da construtora e do banco.

Diversificação geográfica e de negócios

Além de MRV e Inter, o empresário tem outros negócios. A Log Commercial Properties foi criada em 2008, e é outra empresa com participação de Menin e ações em Bolsa. O valor de mercado é de R$ 3 bilhões.

A companhia foi criada para atuar nas áreas de incorporação, construção e locação de propriedades comerciais, como galpões e condomínios logísticos, em uma área que ultrapassa 1,6 milhões de m².

A experiência adquirida da MRV também rendeu o surgimento da Urbamais, em 2012, empresa de loteamentos urbanos. Enquanto a MRV constrói empreendimentos, a empresa de loteamentos fatia as áreas em lotes e implementa a infraestrutura necessária.

Em entrevistas, Menin já destacou que, dada a participação relevante da MRV em algumas cidades, a preocupação e o envolvimento com a comunidade local deveriam ir além da construção dos imóveis.

Além disso, desde 2013, a Conedi, o family office que reúne os negócios da família, é uma das investidoras da varejista de materiais de construção e acabamento ABC da Construção, com atuação em Minas Gerais.

A diversificação geográfica também está na cartilha de Menin. A MRV controla a americana AHS, que incorpora, constrói e administra prédios para locação nos Estados Unidos.

No ano passado, o empresário investir também fora do mundo da construção. Fechou acordo para ter a licença no Brasil da rede americana de televisão CNN.

O canal foi inaugurado em março e deve consumir investimentos de R$ 700 milhões em dez anos. Menin tem uma participação de 65% no negócio. A justificava para a empreitada foi o desejo de contribuir para a melhora do ambiente de negócios no Brasil e estimular a filantropia, disse o empresário.

Esportes e cultura

Todos os negócios estão concentrados no family office Conedi Participações. Os lucros acumulados ao longo dos anos não são utilizados apenas para a ampliação e a diversificação dos negócios, mas também para iniciativas de patrocínio cultural e educacional.

E Menin, fanático torcedor do Galo, tem concentrado suas atenções no clube. A MRV é patrocinadora e também apoia e dá o nome ao novo estádio do Atlético-MG, a Arena MRV, que está em construção.

Arena MRV
Projeto da Arena MRV, futuro estádio do Atlético Mineiro (Crédito: Reprodução / Instagram/ Arena MRV)

A diversificação de negócios veio acompanhada do crescimento do patrimônio do empresário. A estimativa da revista Forbes é que Menin acumule uma fortuna de R$ 6,4 bilhões. Ele é dono de uma fatia de 36,8% da MRV e de 25% do Inter.

Mas como bom mineiro, esse é um tema que Menin tenta evitar. Tanto que o Bloomberg Markets o classifica como “bilionário oculto”, como parte de um grupo de empresários que optam pela discrição e preferem ficar de fora das listas e rankings de bilionários.

Fonte: Divulgação

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