Carta de Temer fortalece impeachment, avaliam oposição e ala do PMDB

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Lideranças da oposição e da ala do PMDB favorável ao impeachment avaliam que a carta do vice-presidente Michel Temer (PMDB) sinaliza um “rompimento” com a presidente Dilma Rousseff (PT) e fortalece a posição pelo impedimento da presidente na Câmara, tanto no PMDB, maior partido da base, quanto nas outras legendas formalmente aliadas ao governo.

“A nossa chance de chegar aos 342 votos que vai precisar para mandar o processo [do impeachment] pro Senado crescem substancialmente com essa decisão corajosa do Michel de romper com a presidente Dilma”, afirmou nesta terça-feira (8) o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos defensores do impeachment em seu partido.

“Absolutamente, favorece [o impeachment]. E fortemente. E não só no PMDB. O PMDB posiciona muito os outros partidos menores”, disse Perondi.

O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), também avalia que a carta em que Temer se queixa de não ter recebido a confiança da presidente ajuda a empurrar o PMDB na Câmara a votar a favor do impeachment. “O PMDB cada vez mais avança na direção do impeachment”, disse.

“A presidente o constrangeu [a Temer] publicamente falando em lealdade”, afirma o deputado. “Quem foi desleal com Michel foi o próprio governo que nunca agradeceu o valor do PMDB no parlamento e na viabilização da eleição do PT [à Presidência]”, disse.

O peemedebista Lúcio Vieira Lima (BA), responsável por montar a chapa alternativa do partido para a comissão especial que vai analisar o pedido de impeachment, afirmou que ao tornar público seu descontentamento Temer pode “atrair a solidariedade” de outros colegas de partido.

“Ao demonstrar suas insatisfações, obviamente que vai atrair a solidariedade de muitos colegas”, disse Vieira Lima.

“Não podemos esquecer que foi graças ao prestígio pessoal de Michel que ele conseguiu uma vitória apertada na convenção que confirmou a aliança com o PT. Se não existisse Michel, com certeza o partido majoritariamente não teria feito a aliança nas últimas eleições”, afirmou o deputado.

Perondi avalia que, hoje, cerca de metade da bancada do PMDB na Câmara apoia o impeachment. O partido tem 66 deputados.

Tanto Perondi quanto Vieira Lima afirmam que está em “xeque” a posição do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). Na indicação dos nomes do partido para a comissão especial do impeachment, Picciani privilegiou deputados favoráveis ao governo, o que levou o PMDB a propor uma chapa alternativa composta por parlamentares que defendem o impeachment.

Questionado sobre qual seria a posição pessoal de Temer sobre o processo de impedimento, Perondi afirmou que o vice-presidente não comenta a questão com aliados nem deixa transparecer sua inclinação. “Você não tira essa palavra dele, e eu sou muito amigo dele”, afirma.

Perondi afirma que Temer tem condições de ocupar a Presidência e diz ver um caminho progressivo no rompimento com a petista. “Ele está preparado para assumir. Olhe os passos que ele deu, progressivamente, dando tempo para a presidente Dilma mudar e ela não mudou. Estourou, meu caro”, disse o peemedebista.

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