Pintando Novos Muros

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Priscila Amoni, uma das criadoras do Festival CURA, conta sobre a experiência de realizar uma edição do festival na Lagoinha, região de grande importância histórico-cultural para Belo Horizonte

O Festival CURA – Circuito Urbano de Arte já se tornou tradição em Belo Horizonte, a capital mineira espera ansiosa  pelo evento, no qual são apresentadas novas pinturas em empenas de vários edifícios, deixando a cidade mais colorida. Em setembro, o CURA teve uma edição extra na Lagoinha,  bairro que fica na região central e faz parte da história e do folclore de Belo Horizonte de uma maneira muito marcante.

 

Agora, quem passa pela avenida Antônio Carlos, enxerga novas cores tomando conta dos prédios da região. O edifício do Senai, por exemplo, chama atenção pelas  recém adquiridas formas geométricas multicoloridas que tomam conta da sua fachada, feitas pelo artista argentino Elian Chali. O edifício Novo Rio, na Rua Diamantina,  já bastante degradado pelo tempo, trazia tons cinzentos para o horizonte do bairro. Depois das pinturas feitas pela grafiteira Maria Raquel – dona do famoso personagem da arte urbana em BH, o Bolinho –  e Zé D. Nilson, a extensa fachada lateral do prédio trouxe um novo ar para o entorno, mais alegre e vistoso.

 

A arte, por meio do CURA, trouxe os olhares dos belorizontinos  para a Lagoinha durante os dias do festival e, claro, deixa como legado as novas cores e uma região  redescoberta pelo público. Como lembrança, também fica um vínculo criado com a população local, conta Priscila Amoni, uma das criadoras do festival e artista:  “Esses 11 dias foram um processo de envolvimento da própria comunidade, a gente sentiu isso ao longo dos dias do festival. Todos estavam muito felizes e sentimos uma excelente receptividade”.  No processo de articulação com os moradores da região, um fator essencial foi o Viva Lagoinha, uma iniciativa que busca, por meio da economia criativa, fomentar o bairro enquanto um ponto focal de cultura e lazer para o belorizontino, como já foi em outro momento.

 

Nessa edição extra do Cura, a Wäls esteve presente desde o início como parceira na realização do festival  – para comemorar seus 20 anos, a cervejaria decidiu se juntar a esse movimento de resgate histórico da Lagoinha e se conectar ainda mais com a cidade. Para corroborar com os esforços do grupo Viva Lagoinha na preservação e retomada da memória da região, a Wäls lançou uma petição online  com o objetivo de que o Copo Americano® seja reconhecido Copo Lagoinha®, termo muito típico da capital mineira. Nesse processo de reafirmação de identidade, um momento importante foi a feira gastronômica que aconteceu no final de semana de encerramento do evento, reunindo apenas cozinheiros locais. Na mesma ocasião, também foi lançado o Selo Estômago da Lagoinha, que é oferecido para os restaurantes e bares que são destaques gastronômicos na região.

 

Priscila Amoni explica a importância dessa mudança territorial do festival dentro da cidade, contando por que esse movimento foi um passo significativo: “Ao sair da Sapucaí, o CURA dá um passo rumo a uma coisa mais profunda no seu potencial enquanto festival, que é o de viver um território, de potencializar esse território, de trabalhar junto com esse território, de suas especificidades –  com a vida particular que tem lá, com as pessoas e artistas da região. Então ir para a lagoinha foi uma expansão, pudemos ver que existem novas possibilidades, muito mais profundas.”.

 

Agora, BH  fica no aguardo da próxima edição, que retorna à Sapucaí, em novembro, entre os dias 5 e 17.

 

Cura Lagoinha, relação de artistas

Prédios:

Bolinho (Floresta/BH) – Ed. Novo Rio  (06 a 15/09) – Rua Diamantina nº 645

Elian Chali (Córdoba, Argentina) – SENAI Lagoinha  (03 a 11/09) – Av. Pres. Antônio Carlos nº 561

Luna Bastos (Teresina/PI) – Grecar  (11 a 15/09) – Av. Pres. Antônio Carlos, nº 245

Zé d Nilson (Lagoinha/BH) – Ed. Novo Rio  (05 a 15/09) – Rua Diamantina nº 645

 

Muros:

Wanatta (Alto Vera Cruz/BH) – Mirante Lagoinha  (05 a 15/09) – Rua Diamantina s/n (próximo ao nº 720)

Rupestre Crew (Lagoinha/BH) – Casa Cura/Univeritás  (05 a 15/09) – Rua Diamantina, 632

Fênix (Santa Mônica/BH) – Mirante Lagoinha  (05 a 15/09) – Rua Diamantina nº 645 / Parceria Museu de Rua

Saulo Pico (Lagoinha/BH) – Mirante Lagoinha  (06 a 15/09) – Rua Diamantina s/n (próximo ao nº 720)

Priscila Amoni (Lagoinha/BH/MG) – Casa da Silmara (11 a 15/09) – Rua Caxambu nª 63

 

Bares:

Nila (Mateus Leme/MG) – Armazém nºoito  (05 a 15/09) – Rua Francisco Soucasseaux nº08

Gabriel Dias (Tupi/BH) – Restaurante do Luiz Atleticano  (09 a 13/09) – Rua Itapecerica nº904

 

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