Ópera brasileira em Homenagem à Irmã Dulce será apresentada pela primeira vez em Roma

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A ópera Imã Dulce levou quase dez anos para ser composta pelo Maestro e Compositor baiano Roberto Laborda e dá inicio ao ciclo de comemoração da Canonização da freira em outubro, na cidade de Roma, Itália.

Roma receberá pela primeira vez a apresentação da ópera composta por um brasileiro, o maestro e compositor Roberto Laborda, em homenagem à Irmã Dulce. A obra será representada em um concerto na Sala Palestrina, no Palazzo Pamphilli (local da Embaixada Brasileira em Roma) durante uma cerimônia que contará com convidados ilustres. A solenidade vai acontecer no dia 12 de outubro, um dia antes da canonização da freira, no Vaticano.

A ópera esta dividida em dois atos e gira em torno da luta de Irmã Dulce para fundar as famosas Obras Sociais. Tudo começa quando ela leva doentes que recolhia nas ruas de salvador para casas na Ilha dos Ratos, localidade que surgiu na comunidade pobre de Alagados – conjunto de palafitas que deu origem à parte do bairro de Itapagipe, em Salvador. A obra narra toda a trajetória de Dulce dos Pobres: desde a peregrinação pelos locais da cidade, em busca de abrigo para os doentes pobres à instalação deles em um galinheiro do Convento do Carmo – local que pode ser visitado até hoje, já que foi transformado em um Memorial. A ópera conta a dificuldade em criar o Hospital que deu origem às Obras Sociais.

A história é permeada por um romance entre a moradora de rua Gabriela Do Rio Vermelho (Sílva Sabater) e o nobre Barão Lanat (Carlos Arturo Gómez). O relacionamento dos dois simboliza a mistura social e cultural do povo brasileiro, em especial o baiano e leva à mensagem final de que o amor vence tudo. Os personagens passeiam por toda a capital baiana, desde a Cidade Baixa às ruas do Centro Histórico, o famoso Pelourinho.

O ápice da obra é quando a principal ária – intitulada “Ave Dulce“  – é entoada. A música é emocionante e narra a morte da freira, que é recebida por anjos e levada aos céus.

A composição foi concluída  antes da notícia da canonização e foi registrada na biblioteca nacional do Rio de Janeiro no final da  década de noventa. Foram quase dez anos para compor o material.

O autor, o Maestro e Compositor Roberto Laborda explica que não tinha ideia que a sua homenagem “faria parte de um momento histórico”.

De acordo com ele, a ópera “tem amor, compaixão, luta e muita solidariedade”. O maestro conta que a ideia da composição surgiu na adolescência por causa da amizade entre a família e Irmã Dulce. Para ele, a futura Santa é “puro sinônimo de bondade” e acrescenta que “o que mais impressiona na história de Irmã Dulce é que ela persistia, era uma guerreira e tinha uma fé absoluta.”

Segundo laborda “A existência de Irmã Dulce” vai muito além da religião, por ter sido uma pessoa que vivia intensamente para ajudar o próximo.”

 

Sobre os cantores:

Silva Sabater – soprano espanhola que atualmente faz parte do Coro de Câmara da Europa

Carlos Arturo Gómez – tenor colombiano que faz parte do elenco Teatro Real de Madrid

 

Sobre o autor:

Roberto Laborda é um maestro, pianista e compositor baiano de 37 anos. Nascido em Salvador, numa família de músicos, iniciou sua trajetória sozinho no piano, aos 6 anos de idade. É formado e pós-graduado em regência e composição na Academia de Artes Cênicas de Praga (República Tcheca) e no Conservatório de Barcelona de Liceu (Espanha). Mestre em música pela Universidade de Barcelona e pós-graduado em piano na Academia Marshall (Barcelona). Laborda passou pela Universidade de Aveiro (Portugal) e pela Universidade Federal da Bahia.

 

O músico já ganhou diversos prêmios, entre eles, o Dvorak International Competition, da Academia Superior de Música de Praga e no Reino Unido –  prêmio London Classical Soloists. Hoje, o Maestro vive na Espanha e é diretor da Orquestra Metropolitana de Barcelona.

Já se apresentou em diversas cidades da Europa e Russia.

Celebração Irmã Dulce

Irmã Dulce é a brasileira  que se tornará santa. A missa de canonização está marcada para às 10h, no Vaticano e vai ser presidida pelo Papa Francisco. Cerca de 15 mil brasileiros são esperados para acompanharem a celebração. No dia 14, será celebrada a primeira missa com Irmã Dulce já santa, presidida por Dom Murilo Krieger, Arcebispo Primaz do Brasil, na Igreja Santo Antônio dos Portugueses, em Roma.

O processo de Beatificação e Canonização foi iniciado em janeiro de 2000. A fama de santidade foi reconhecida em 2009, quando o Papa Bento XVI reconheceu as virtudes heróicas da Serva de Deus, Dulce Lopes Pontes. Em 22 de maio de 2011, a religiosa foi proclamada como Bem-aventurada Dulce dos Pobres. Para receber o título de santa, foi necessária a confirmação de dois milagres, um atestado para o processo de beatificação e outro para a canonização.

Milagres de Irmã Dulce

O primeiro milagre atribuído à Irmã Dulce ocorreu na cidade de Itabaiana, em Sergipe, quando, após dar à luz seu segundo filho, Gabriel, em 11 de janeiro de 2001, Cláudia Cristina dos Santos sofreu uma forte hemorragia, durante 18 horas, tendo sido submetida a três cirurgias na Maternidade São José.

Diante da gravidade do quadro, o obstetra Antônio Cardoso avisou à família de Cláudia que apenas “uma ajuda divina” poderia salvar sua vida. Em desespero, a família da moça chamou o padre José Almí para ministrar a unção dos enfermos. O padre, no entanto, decidiu fazer uma corrente de oração pedindo a intercessão de Irmã Dulce e deu a Cláudia uma pequena relíquia da Bem-Aventurada.

A hemorragia cessou subitamente. O caso de Cláudia foi analisado por dez peritos médicos brasileiros e seis italianos. Segundo o médico Sandro Barral, um dos integrantes da comissão científica que analisou o milagre, “ninguém conseguiu explicar o porquê daquela melhora, de forma tão rápida, numa condição tão adversa”.

O milagre passou por três etapas de avaliação: uma reunião com peritos médicos (que deram o aval científico), com teólogos, e, finalmente, a aprovação final do colégio cardinalício, tendo sua autenticidade reconhecida de forma unânime em todos os estágios.

O segundo

Natural de Salvador, Maurício, aos 22 anos, teve o diagnóstico de um glaucoma muito sério, descoberto tardiamente e já em estado avançado. O tratamento, que durou dez anos, não foi suficiente para impedir que o nervo óptico – responsável pela comunicação com o cérebro – fosse destruído. Desse modo, na virada do ano de 1999 para 2000, ele ficou totalmente cego de ambos os olhos e assim permaneceu por mais de 14 anos.

Em 2014, já morando em Recife, Maurício teve uma conjuntivite muito grave e, sofrendo com fortes dores, pegou a imagem de Irmã Dulce que pertencera a sua mãe, a colocou sobre os olhos e, com muita fé, fez uma oração pedindo a intercessão do Anjo Bom para que aliviasse as dores da conjuntivite.

O segundo milagre validado pelo Vaticano passou pelas mesmas etapas do primeiro, tendo sua autenticidade igualmente reconhecida de forma unânime em todos os estágios.

 

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