Gabriela Perini é pré-candidata a Vereadora em São Paulo pelo PDT

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 Gabriela Perini é pré-candidata a Vereadora em São Paulo pelo PDT. Mulher, jovem, transexual, filosofa, educadora, estudante de ciências atuariais na USP. Uma nova liderança em São Paulo. Fundado em 1979, o Partido Democrático Trabalhista é alinhado às ideologias trabalhista e social democrata. Tem 26 anos.

 

Concluiu Bacharelado e Licenciatura de Filosofia em 2017. Prestou novamente o vestibular para Ciências Atuariais e conseguiu ingressar em 2018. Atualmente a sua rotina é estagiar na área de análise de dados/programação e ir à faculdade. Em geral uma vez por mês, dá aula de Física e micro cursos livres no Cursinho Popular Laudelina de Campos, curso gratuito voltado para o ENEM e com estudantes de baixa renda.

 

Já discutiu sobre gênero, filosofia da física e economia, para inserir as pessoas nos debates políticos e para construir um ensino crítico das matérias do exame.

Trabalhou apenas dois anos com ensino fundamental II e atualmente, só pré-vestibular como professora voluntária. Ela trabalha com Filosofia, Física, temas políticos e econômicos, naturalmente se exige uma maior maturidade e o seu público-alvo, são os adolescentes. Nunca teve problemas com suas turmas. Já teve inclusive quem disse ter mudado a vida após conhecê-la, por causa da evidente contradição que apresenta. Sabe que foge do que em geral se imagina de uma mulher trans.

 

Trabalhou em apenas uma escola particular. Nunca chegou a dar aula nas escolas públicas, pois a condição das estaduais é uma tragédia. Quando foi atrás para se inscrever como Categoria O, professora substituta, as filas nas diretorias de ensino chegavam a 100, 200 pessoas. Ela ainda está por concluir mais uma faculdade, pensou que não teria a menor chance. Já sofreu humilhações em entrevistas de emprego e em escolas de reforço. Então achou que não valeria mais o seu desgaste e foi atrás dos cursinhos. Trabalhou remunerada em outro cursinho popular, onde sempre foi muito bem tratada. Acha importante notar como as escolas particulares são ambientes extremamente tóxicos, inclusive para os alunos, caso fujam dos papeis de gênero.

 

Não conhece outras professoras trans, apenas a Amara Moira que dá aula no cursinho Descomplica, mas no momento, só conhece ela. “É difícil encontrar nossos iguais em profissões tradicionais”, reclama.

 

Dedica-se a projetos militantes há algum tempo. Entende isso, como uma obrigação. “Qual a outra opção? Padecer? Morrer? Então não tenho opção e escolhi a educação popular como uma forma de contribuir com a sociedade. Mas já na câmara dá pra fazer muito mais. Do lado de cá a gente só toma pancada vinda de cima e tenta continuar. Na câmara imagino que terei mais estrutura para oferecer a quem se mobilizar, mais capacidade de eco a voz de quem luta. Já passei por inúmeras ofensas verbais. Até mesmo um conselheiro tutelar, no exercício da profissão, insinuou sem qualquer contexto que eu abusava de menores. Eles passarão, eu passarinho. Não tenho medo. Uma situação dessas me revolta e a revolta, quando bem direcionada, é a força por detrás de toda transformação humana. Não necessariamente a revolta é violenta, claro. Entendo aqui como a não aceitação de uma realidade, como o contrário do conformismo”, comenta.

 

Gabriela Perini explica: “Há muito, está na pauta o passe livre no transporte para estudantes de cursinhos populares”. Muitas pessoas procuram esses cursinhos, pois não possuem renda para os grandes e tradicionais. No Cursinho Laudelina, todo ano dezenas desistem, simplesmente por não terem dinheiro para o transporte, é de partir o coração. Dizemos muito que a educação é transformadora, mas algumas pessoas não conseguem ter nem uma educação ruim, por falta de acesso. Como falaremos da importância da educação para a população negra se ela é assassinada? Como falaremos da importância da educação para a população trans se ela é espancada e humilhada? Quero dizer que há muitos problemas antes da educação em si. Acho essa pauta do passe livre dialoga com um desses problemas, a impossibilidade da pessoa se deslocar para dedicar seu tempo aos seus projetos de vida. Mas direcionado para algo dentro da escola, que dá bastante certo nos cursinhos, são palestras e oficinas livres, de temas variados. Nem que seja um sarauzinho, poxa.

 

Nas minhas aulas de Física já mostrei a discussão que havia entre Leibniz e Newton sobre a criação do mundo por Deus. Falo disso nas aulas sobre as três leis de Newton, uma discussão fundamental para a Filosofia. Falo ainda sobre Aristóteles e o conceito de inércia. Mostro para eles que o conteúdo do vestibular é a casquinha da ferida no joelho da história da ciência. Nas aulas de Filosofia, fundamento a possibilidade da Física. Já reparou que não precisamos viajar até Júpiter para lançar um satélite até lá? Quando pergunto aos meus alunos como a Física permite que a gente saiba disso sem nunca ter testado antes, eles entram em parafuso, é engraçado. As carinhas deles de confusão é nítida, mas adoram. A Filosofia está em tudo. Se você acha que não está, eis uma boa oportunidade de descobrir algo novo. Interdisciplinaridade é a chave para conquistar qualquer mente. Precisamos disso”, relata euforicamente.

 

Se for eleita, quer congelar os salários dos vereadores. Não sabe se será uma proposta muito bem recebida, mas quer tirar máscaras dos colegas. “Agora, está na moda falar em diminuir o custo do Estado. Concordo que tem como, essa é minha contribuição. Vamos ver se quem usa isso como argumento pra cortar assistência também pensa da mesma forma na hora de cortar o próprio salário”, sorri ao falar sobre seus planos.

 

Crê na garantia, do pleno funcionamento e atendimento dos centros de referência, ameaçados pelos cortes da gestão Bruno Covas. É a demanda mais atual do movimento. Evitar um retrocesso não é um modelo de politica publica que funciona e faz o poder público alcançar a comunidade LGBTQI+, para um hall de politicas públicas que vão da assistencial, social, empregabilidade, saúde e educação.

 

Gabi acredita que tudo necessita expandir, ganhar corpo, desenvolver o que já existe, mas é imprescindível criar novos projetos e deixar de ser a minoria das minorias. É fundamental ampliar assistência médica, pensar nos idosos LGBTQI+, educar e profissionalizar jovens que foram expulsos de casa, gerar oficinas profissionalizantes e gratuitas.

 

“Eu ainda não sou nada. Existem tantos séculos de humanidade, pessoas muito mais impactantes que eu. Serei esquecida um tempo depois de morrer. Meu acréscimo a quem busca uma sociedade mais igual é ser a garota de recados dessas pessoas dentro do poder público. É lá onde as coisas acontecem, precisa de quem cumpra essa função de levar as demandas. Ser uma liderança é não ser uma liderança, é ser subalterna. É levar a informação daqui pra lá”, fala entusiasmada.

 

Greta Thunberg é uma estudante sueca e ativista do meio ambiente que polemizou com seu discurso na ONU. Por alguns foi altamente criticada, por outros, taxada de histérica e, elogiada por poucos. Greta Thunberg foi diagnosticada com síndrome de Asperger, TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo e mutismo seletivo. Embora reconheça algumas dificuldades por causa de seu diagnóstico, Thunberg diz que dependendo das circunstâncias, “ser diferente é um superpoder”.

 

“Acho meio romântico demais. Não é bacana ter Asperger, TOC. Essas pessoas sofrem numa sociedade que rejeita quem não é igual, num mundo no qual somente algumas formas de trabalho são reconhecidas como dignas e honrosas. Olha as histórias dos hospícios, ainda contemporâneas. A pessoa com síndrome, transtorno psiquiátrico é torturada de modo vil e com autorização da sociedade, porque ela representa um custo e produz pouco daquilo que a normalidade exige produzir. Mas, segundo um texto da psicanalista Maria Reta Kehl no livro “O Que Resta da Ditadura” essas pessoas possuem uma visão privilegiada sobre a realidade, na medida em que elas apresentam de modo inconteste que a tal normalidade é uma grande mentira. Só existem experiências individuais amontoadas. Um determinado punhado dessas experiências é tido como “real”, mas a cognição inteira é um grande devaneio. Bebemos álcool, temos experiências religiosas, artísticas, todo dia podemos explorar esse devaneio da consciência. E podem sair coisas bonitas. Mas não podemos achar que é legal e divertido ter TOC”, pensa e explica.

 

Foi através do Ciro que conheceu o PDT. “Ele é uma figura excepcional. O tenho como um educador também, pois ele consegue direcionar sua fala para qualquer público, sobre qualquer tema e é realmente possível aprender com suas palestras. Mas o Ciro não é tudo, não podemos ficar na política personalista. Brizola já se foi, Ciro também nos deixará em algum momento, assim como todas as ilustres figuras de nossa história. Sou trabalhista e desenvolvimentista, porque pelo que estudei de história econômica, são os valores necessários para o Brasil. Quero ser candidata para fazer valer esses valores. Pessoas tem prazo de validade, ideias duram enquanto durar a humanidade”, finaliza Gabriela Perini.

 

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