Equívocos que custarão caro para BH – Transito

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por: Jose Aparecido Ribeiro

O maior erro que um agente público, seja ele político ou técnico pode cometer é o erro de interpretação da realidade. Achar que seu pensamento é o certo e pautar suas ações baseado em modelos que ele presume ser o ideal. Um certo conforto ilusório que beira a arrogância, e que em BH é marca do grupo que comanda a BHTrans há 25 anos.

Quando esses modelos são importados, em se tratando de mobilidade urbana é necessário que o clima, a topografia, os costumes, a história e as referencias ideológica sejam consideradas. O que não pode é pensar que se deu certo em alguma cidade europeia, ou mesmo lá em Bogotá, (no Altiplano Andino) terá que dar certo aqui também. As razões são óbvias, e de natureza geoclimaticas.

Os modelos de cidades que convém aos gestores públicos, diga-se de passagem, nem sempre são os mais apropriados para a realidade de Belo Horizonte. Se há exemplos a serem seguidos, eles não estão no Velho Continente, mas talvez nos EUA. (Miami, San Diego, Detroit, Los Angeles, Woshington)

Decisões desastrosas e equivocadas estão aí nas ciclovias inúteis; nos passeios largos e vazios; no excessivo número de sinais;  na falta de sincronia deles que não permite fluidez do tráfego propositadamente, e até  na propria escolha do BRT, como principal modal de transporte de massa, ao invés do monotrilho, recomendado por unanimidade pela engenharia.

O fato é que o cidadão belo-horizontino assiste passivo o caos tomar conta do trânsito da cidade e nao encontra respostas convincentes. Ouvindo o rádio, parado no trânsito é comum frases: “trânsito parado por causa do excesso de veículo aqui e acolá”. “130 km de engarrafamentos”. “Anel parado, com repercussões por todas a cidade”.

Mas o correto é: trânsito parado por falta de infra estrutura, sempre nos mesmos lugares.  até por que a tendência é que o número de carros aumente a cada dia, e não o contrário. Ouço de técnicos da SUDECAP e da BHtrans que não é a cidade que deve ser adaptar aos carros, mas os carros a ela. E sou capaz de apostar que esses mesmos engenheiros seriam contra a construção do túnel da Lagoinha se ele não existisse hoje. São explicitamente contra o desenvolvimento e míopes em relação a realidade que se apresenta ali fora. Sonham com uma cidade sem carros.

Presos ao preconceito e livres para continuar errando sistematicamente eles seguem alimentando-se de um modelo ideológico romântico, politicamente correto, que está levando a cidade para o caos.

Com efeito, mais do que quebrar paradigmas, a cidade precisa de projetos, aproveitando se da sua topografia para construir trincheiras, túneis, viadutos modernos e obras de arte da engenharia que permitam fluidez, progresso e menos mediocridade.

  • Jose Aparecido Ribeiro
  • autor do Blog SOS MOBILIDADE URBANA
  • 31-99953-7945

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