Brasileiros vão pagar cerca de R$ 2 tri de impostos este ano

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O ano de 2015 ficará marcado como um dos que mais registraram
aumentos de preços nos bens e serviços e na arrecadação de impostos 

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Economista Rodrigo Dias: “A população trabalha
5 meses só para pagar tributos”
(Foto: Arquivo Pessoal)

 

*Jornalista – Felipe José de Jesus 

O relatório do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), afirma que até o fim do ano os brasileiros terão pago cerca de R$ 2 trilhões de tributos, sendo uma das maiores arrecadações anuais.

Hoje, o Brasil é um dos países que tem a carga tributária mais elevada entre as nações em desenvolvimento da América do Sul e dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), só que mesmo assim, é um dos que menos investe em itens básicos para população como saúde e educação.

De acordo com um levantamento realizado sobre países que investem em educação, dos 58 analisados, o Brasil ficou em 53º lugar, uma colocação desagradável, já que em apenas 10 anos, o país arrecadou o montante de R$ 14 trilhões com impostos.

Em entrevista, o economista Rodrigo Dias,  explica que o valor de R$ 2 trilhões não seria tão alto, caso houvesse um retorno satisfatório. “Temos um problema de gestão das finanças públicas, por isso, o retorno sobre a arrecadação será sempre inferior às expectativas da sociedade, que hoje trabalha 5 meses para pagar tributos. Segundo dados da execução orçamentária, divulgado pelo Senado Federal, até o dia 27 de novembro, a União já desembolsou R$ 956 bilhões com a dívida pública. Isso corresponde a cerca de 48% da arrecadação tributária brasileira”, comenta.

Ele ainda declara que vivemos em um país com dimensões continentais cuja demanda por serviços públicos é relativamente alta. “Isso acaba causando essa sensação de impunidade por ter uma elevada carga tributária e serviços precários e insuficientes como é o caso da saúde, segurança pública, dentre outras áreas”.    

E a educação?

Para Dias, o governo prioriza outras coisas e a educação acaba não sendo um investimento prioritário. “O fato é que um ensino de qualidade demanda investimento expressivo em infraestrutura, valorização e capacitação contínua dos professores. Porém, o que percebemos é que a educação não é considerada um investimento essencial para o desenvolvimento do nosso país. Não posso deixar de falar que tivemos algum progresso, mas, por enquanto, o que tem sido feito é apenas tirar o atraso, ou seja, recuperar o tempo perdido ao longo de séculos”, assegura.

O economista diz que existe uma péssima constatação de que grande parte do orçamento público é gasto com pagamento da dívida pública e não com o povo que paga impostos. “Isso impacta diretamente na redução dos investimentos em serviços públicos, que geralmente são os primeiros a sofrer cortes orçamentários em favor do superávit primário (resultado positivo de todas as receitas e despesas do governo). Um exemplo disso foi o corte de R$ 1 bilhão na educação que foram anunciados no final de julho”, relembra.

PIB baixo

Neste ano, o recolhimento anual de R$ 2 tri, poderá corresponder a 40% do Produto Interno Bruto (PIB). Questionado se este valor referente ao PIB poderia ser mais representativo, Dias afirma que: “O Brasil precisa de uma reforma tributária urgente, temos hoje um sistema regressivo, em que a maior parcela da arrecadação é extraída do setor produtivo. E em alguns casos, a tributação ocorre em todas as fases de produção, o que causa, dentre outros problemas, a perda de competitividade do setor produtivo nacional”.

Para ele, estudos do IBPT mostram que nos últimos 10 anos, a arrecadação tributária cresceu mais que o PIB. “Isso é o que explica o aumento da relação carga tributária/PIB. Para que melhorias aconteçam é preciso que a tributação passe a ocorrer de forma progressiva, com a maior incidência de tributos sobre a renda e o patrimônio, evitando assim, tais distorções na economia do país”, conclui.

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