Duda Salabert é a vereadora mais votada na história de BH

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Belo Horizonte elegeu para a Câmara de Vereadores sua primeira candidata trans, professora Duda Salabert (PDT), com uma votação recorde ―a vereadora mais votada da história da capital mineira. Ela obteve mais de 37.000 votos segundo o TSE, ocupando a primeira posição do pleito a Câmara da capital mineira é formada por 41 vagas. Em 2018, quando havia disputado a eleição para o Senado pelo Estado de Minas, ainda pelo PSOL, ela já havia obtido mais de 350.000 votos. Em 2020, triplicou o número de candidaturas trans no Brasile, ao menos em três capitais brasileiras, foram eleitas com boas votações no Legislativo municipal. Em São Paulo ―que em 2018 elegeu sua primeira deputada estadual trans―, Erika Hilton (PSOL) foi eleita a primeira mulher trans da Câmara de Vereadores, enquanto Thammy Miranda (PL), o primeiro homem trans a se tornar vereador da capital paulista. Já em Aracaju, a também educadora Linda Brasil (PSOL) foi eleita com o maior número de votos da história da capital sergipana.

Segundo Duda, a maior motivação na política é ajudar a construir um modelo de gestão que privilegie os grupos que representa e as bandeiras que levanta. “A cidade ideal ouve a voz dos movimentos sociais. E tem respeito pelos animais, pessoas LGBTs, negros e mulheres. Essas quatro pautas nunca foram valorizadas por nenhuma administração”, afirmou em entrevista a Cenário Minas, em setembro do ano passado. Sua campanha para a Câmara não utilizou nenhum material impresso, como sinal de compromisso com o meio ambiente.

Antes de iniciar o processo de transição de gênero, Duda Salabert construiu carreira na capital mineira dando aulas de literatura para alunos do ensino médio. Mas, há seis anos, desde que começou a se reivindicar socialmente como mulher, as propostas de emprego rarearam. “Estou no apogeu da profissão, era pra chover convites de outras escolas. Se eu fosse demitida, dificilmente outro colégio me contrataria. As pessoas não me leem como professora, mas como uma prostituta, já que 90% das mulheres transexuais no Brasil estão na prostituição. Esse é um reflexo da transfobia na sociedade”, disse na ocasião.

Duda contou que os alunos assimilaram bem a revelação de sua transexualidade, ao contrário de pais que não convivem diariamente com ela. “No ano passado [2018], uma mãe foi conversar com o dono do colégio exigindo satisfação porque a filha estava tendo aula com um traficante. Não sou prostituta nem traficante. Mas deve ser muito vergonhoso para uma família tradicional mineira ouvir a filha dizer que a pessoa que ela mais admira é uma travesti. Não posso fazer nada, né?”, disse a ativista, que enxerga a profissão como causa. “Tenho o sonho de transformar o mundo pela educação.”

a comunidade LGBT

No balanço do processo eleitoral, a comunidade LGBT está celebrando os resultados vindos dos municípios. De acordo com a Aliança Nacional LGBTI+, são 48 candidatos eleitos, com um total de 450.854 votos recebidos. Além de 94 suplentes, 16 aliados declarados da causa também eleitos, com mais 42 suplentes. “Já é o triplo de 2016”, destaca o presidente da Aliança, Toni Reis.

“Colocamos 94 suplentes, muito bem votados. Temos prefeito em Mariluz (Paulinho Alves), do PSL, católico, favorável aos direitos humanos, o presidente da Câmara também (Marquinhos da Eletromóveis, PTB)…”, diz Toni, citando cidade do Paraná. “Realmente, a comunidade LGBTI+ é um destaque nas eleições. E preparando os tambores para 2022, porque é no Congresso Nacional que nós vamos estar organizados.”

De acordo com o levantamento, o Psol concentra 25% dos eleitos. Depois vêm o PT (22,7%) e o PDT (2,3%). Mas o espectro partidário é diversificado. E abrange, inclusive, políticos que não costumam abraçar a causa, mesmo pertencendo ao grupo, como Fernando Holiday (Patriota), reeleito vereador em São Paulo.

Contra o retrocesso

“Os dados reforçam que nossa luta não pode jamais ser interrompida, e somente assim é possível superarmos juntos toda e qualquer tentativa de retrocesso que possa tentar se instalar”, afirma a Aliança.

Os representantes do movimento LGBTi citam anda os exemplos de Erika Hilton (Psol) e Thammy Miranda (PL), também em São Paulo – os primeiros trans na Câmara paulistana. E a eleição de Monica Benício (Psol), viúva de Marielle Franco, e Tainá de Paula (PT), ambas no Rio de Janeiro.

Em Belo Horizonte, a professora Duda Salabert (PDT) tornou-se a primeira vereadora trans da capital mineira. Além disso, quebrou o recorde de votos recebidos naquele município: 37.613. Em entrevista, ela afirmou que BH “deu uma resposta” à atual legislatura. “Havia debates de pouca relevância social, materializados num projeto inconstitucional, e que provoca a histeria, chamado ‘escola sem partido’, e que em nada melhora a vida dos belo-horizontinos.”

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