David Bowie morre aos 69 anos

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O choque. A morte é-o sempre. Mas tinha acabado de lançar novo álbum, na última sexta, dia do seu aniversário, que parecia um recomeço e ninguém sabia da sua doença. O mistério e a surpresa sempre fizeram parte dele. Mas esta era a notícia que ninguém desejava.

O músico britânico David Bowie, uma das maiores celebridades da cultura popular, morreu nesta madrugada, aos 69 anos, de cancro. A notícia foi divulgada na sua página oficial do Facebook e do Twitter. O seu publicista, Steve Martin, confirmou a morte ao canal Sky News.

“10 de Janeiro de 2016: David Bowie morreu tranquilamente hoje, rodeado pela sua família, após uma corajosa batalha contra o cancro durante 18 meses”, refere a nota publicada nas redes sociais, cerca das 6h30 desta segunda-feira.

“Muitos de vós partilham esta perda, mas pedimos que respeitem a privacidade da família durante o tempo de luto”, completa a nota. O músico tinha acabado de lançar um novo álbum, Blackstar, bem acolhido pela crítica. No PÚBLICO, descrevemos o seu o novo álbum como sendo inspirado pelo jazz e como um álbum ousado.

No recente videoclipe para a canção Lazarus, realizado por Johan Renck, surgia de corpo magro e envelhecido, deitado numa cama de hospital. É natural que se façam agora alusões de que seria uma espécie de carta de despedida, mas todos os que privaram com ele nos últimos tempos e que fizeram declarações públicas – do produtor Tony Visconti ao saxofonista Donny McCaslin – sugeriam que estaria em grande forma.

Desde os anos 1960 foi Ziggy Stardust, Aladdin Sane ou Thin White Duke. Foi mod, hippie ou glam-rocker. Augurou o punk, inspirou-se na electrónica alemã nos anos 1970, beneficiou da euforia provocava pela MTV nos anos 1980 e juntou-se à vaga dançante nos anos 1990.

Em 2004 foi submetido a uma angioplastia de urgência, o que levou ao cancelamento da Reality Tour, a poucos dias da passagem pelo Porto – naquela que seria a terceira presença em Portugal, depois da estreia no estádio de Alvalade em 1990 durante a digressão Sound + Vision e de um concerto em 1996, no festival Super Bock Super Rock, em Lisboa.

Era o mestre da reinvenção. Tornou-se um cliché dizer-se que era um camaleão, alguém que mudava de pele em cada novo álbum. Mas a verdade é que David Robert Jones, seu verdadeiro nome, surpreendeu inúmeras vezes, sugerindo novos conceitos, novas personagens, novas roupagens, influenciando a cultura musical das últimas décadas, mas também o imaginário visual e os estilos de vida de inúmeras gerações.

Nasceu a 8 de Janeiro de 1947, em Londres. Os pais chamaram-lhe David Jones, nome que o músico viria a mudar 19 anos mais tarde, em 1966, devido ao êxito alcançado por um outro David Jones – o dos Monkees. No ano seguinte, lançou o primeiro disco: David Bowie.

A discografia viria a ser longa: 26 álbuns de estúdio (dois dos quais com os Tin Machine), nove álbuns ao vivo e três bandas-sonoras. E mais uma mão-cheia de EPs e mais de uma centena de singles.

Space Oddity (1969) e The Man Who Sold the World (1970) prepararam o caminho para o sucesso que foi Hunky Dory (1971), o seu primeiro álbum de platina no Reino Unido, e The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972), um dos picos criativos do inglês.

Com estes dois últimos discos começaria a sua relação com a RCA, que durou toda a década de 1970 e que logo a seguir deu mais frutos, com a estreia no número um do top britânico com Aladdin Sane, Pin Ups (ambos de 1973), e Diamond Dogs (1974), onde preconizava a revolução punk que estava à porta. Uma outra sua pele, o Thin White Duke, acaba por surgir com Station To Station (1976).

Em 1977 dá início à Trilogia de Berlim. Três álbuns gravados na capital alemã com Brian Eno ao leme: Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979). Influências futuras da new wave e do pós-punk, os trabalhos causaram estranheza na altura, mas não tanto como a que promoveria nos anos 1980, primeiro com Scary Monsters (1980) e depois com Let’s Dance (1983), grande êxito mundial para o qual alguns fãs ainda olham com desconfiança, com assinatura de Nile Rodgers (Chic) na produção.

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