Ciclo de Workshops para Jornalistas: A economia e seus desafios para a nova gestão política brasileira

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Como as mudanças políticas poderão
afetar o país a partir de 2019?


*Jornalista
Matéria e fotos

Felipe José de Jesus
Cobertura na IBMEC
* Ciclo de Workshops Para Jornalistas

Como será o novo Governo em 2019? Quais serão os desafios desta mudança partir da escolha dos eleitores nas eleições 2018? Com essa ideia, o IBMEC (Rua Rio Grande do Norte, 300 – Santa Efigênia BH-MG) realizou no dia 06 de novembro o “Ciclo de Workshops Para Jornalistas” para trazer essas e demais pautas em debate na economia e política brasileira. No dia, dois nomes de peso da instituição estiveram presentes como o professor, Doutor em Economia, Márcio Salvato (Coordenador do curso de Economia do IBMEC-BH)  e também o professor e Cientista Político, Adriano Gianturco (Coordenador do curso de Relações Internacionais do IBMEC-BH). A abertura ficou por conta de Jaime S. Yamassaki Bastos, Diretor Executivo do IBMEC. 

O professor – Doutor em Economia, Márcio Salvato.

Iniciando as palestras, o professor – Doutor em Economia, Márcio Salvato (Coordenador do curso de Economia do IBMEC-BH) trouxe alguns questionamentos a cerca da nova gestão, seja, pelo âmbito mineiro, quanto pelo presidencial com Jair Bolsonaro (PSL). Entre os debates trazidos pelo professor, ele suscitou sobre a Reforma da Previdência, Corte de Gastos + PEC do Teto, Ampliação da Reforma Trabalhista, Impostos, Privatizações e também falou sobre a Década Perdida.

O professor falou sobre o crescimento do PIB.

De acordo com o professor, a queda do PIB foi uma das grandes preocupações em três anos. “Tivemos o pior triênio, ou seja, 7,5%. Até então eu jamais tinha visto esse tipo de situação no país. Mas estamos falando de PIB per capto. Sendo assim, tivemos uma queda de 3,5%. Até o ano de 2022, com crescimento de 2,5%, talvez  poderemos chegar ao mesmo patamar de 2003. Tudo pela divida pública, ou seja o déficit que temos no Brasil hoje”, disse.

A famosa “Pirâmide” dos anos de 1980.

De acordo com o professor, teremos impossivelmente uma ‘Segunda Década Perdida’. “A solução passará para a iniciativa privada a geração de emprego. Não dá mais para o Governo Federal tentar segurar essa barra. Mas é necessário discutir a questão da previdência. Viemos de uma época em que a taxa de filhos era menor, hoje estamos no fim do ‘Boom Etário’, diferente da Pirâmide Etária dos anos de 1980. Mas a a partir dai ela mudou, ou seja, inverteu. Assim, a expectativa de vida mudou e muito. Estamos então no boom etário. Hoje dá para pagar a conta, mas e amanhã?”, questionou.

Mudanças?

Para ele, quem está começando no mercado de trabalho não conseguirá se manter. Além disso, ele reforçou que algumas coisas precisam mudar. “Será que a mulher realmente precisa se aposentar antes? Será que militares, inativos, tem que ter esse privilégio? Algumas coisas precisam mudar rapidamente. O que vemos é que as propostas do novo presidente Jair Bolsonaro será mais dura”, disse.

O futuro econômico do país foi colocado em pauta por diversas vezes no workshop.

Ainda sobre mudanças, ele frisou sobre a questão das pensões. “No exterior já temos por exemplo, casais que tem duas pensões, mas rapidamente, essa pensão do por exemplo, já falecido, dura por um tempo, mas, começa a acabar e se deteriorar com o tempo. É preciso que haja mudanças rapidamente sobre esse tipo de situação. Como também é preciso desonerar a máquina pública”, disse.

A questão da PEC do Teto será também abordada pelo novo governo. Para o professor, esse será um grande desafio a partir de 2019. “Como alterar essa situação já existente e que tanto preocupa a máquina pública? Esse com certeza será um desafio para o novo governo a partir de 2019. Paulo Guedes já sabe que poderá enfrentar muita coisa daí para frente e não adiantará tentar deixar essa pauta de lado. Ela também deve entrar no meio dessa discussão”, salientou.

Alguns dos temas tratados sobre o futuro da economia no Brasil a partir de 2019.

Além disso, ele falou sobre outros temas inerentes que com certeza serão discutidos. Entre eles: Como Aplicar a Reforma da Previdência Sobre o Funcionalismo Estadual, Corte de Gastos, Atração de Investimentos e também sobre a Renegociação da Dívida do Estado. “Teremos ainda muitas coisas para serem tratadas, mas essas que estão ai, precisam ser discutidas. Não é uma questão mais de ‘Direita’ e ‘Esquerda’, mas sim, uma mudança. De todo o jeito ainda pagaremos a conta e ponto final”, explicou. Para ele, a transição entre os dois lados é saudável. “Ficar apenas de um lado sempre não é saudável. Estamos entrando em uma discussão mais direitista e tudo tem um preço”, concluiu.

A questão da ‘Direita e Esquerda’ nas Eleições 2018 foram suscitadas também.

Cenário Político Brasileiro ))

Dando uma explanada sobre o Cenário Político no Brasil, o professor e Cientista Político, Adriano Gianturco (Coordenador do curso de Relações Internacionais do IBMEC-BH),  falou sobre a questão da entrada do novo presidente. Inicialmente ele apresentou traços da possível montagem dessa nova gestão.

professor e Cientista Político, Adriano Gianturco,

Entre os temas, ele falou sobre o ‘Minimum Winning Coalition: Montar o governo com a menor coalizão possível e o menor número de ministérios a outros partidos e também o Minimal Conectd Wining Coalition, incluindo também partidos mais afins não necessários. “Como todo governo, existe a distribuição de poder que se divide entre o poder de barganha, e o poder de ameaça dos partidos. Assim como temos partidos pequenos que podem ter poder desproporcional”, explicou.

O Processo Legislativo foi tratado na palestra.

Dando sequência a sua palestra, o professor Adriano Gianturco falou sobre as inevitáveis colisões possíveis a partir do novo governo. “Poderemos ter novidades, mas ainda teremos que esperar para ver o que se formará”, disse. Sobre os tipos de governo que existem, ele falou sobre os três tipos de governo existentes. “Temos o Mono Partido, o Muti- Partidário e o Governo de Minoria”, completou.

Sabendo das novas composições que poderão vir a partir do novo governo, ele lembrou sobre a troca. “De um lado poderemos ter uma troca de Ministérios por favores, ou seja, aquele ‘te dou um ministério, mas por outro lado você não me afeta nisso e naquilo’, mais ou menos assim”, comentou. De qualquer forma ele lembrou que novas composições podem afetar a agenda do Governo inevitavelmente.

Unidos e divididos ))

Com uma pequena base no Parlamento, o PSL enfrenta de acordo com o professor grandes desafios, já que os eleitores escolheram o partido para representar a presidência em 2019.  “Houve uma mudança, talvez uma nova postura do eleitorado em 2018. Ficou claro que o eleitorado não é desinformado como poderia parecer. Uma mudança bem latente nas eleições deste ano pelo o que podemos ver”, comentou.

Sobre a divisão dos Ministérios, o professor deixou claro que existe a cogitação de diminuir o número, mas com situações políticas para se resolver e uma economia ainda atacada, ele disse que poderá haver até aumento dos mesmos.  “Não vejo talvez um caminho de diminuição dos Ministérios. Tudo partirá da questão econômica que enfrentamos. Poderá ter aumento, apesar de que seria bom se tivéssemos um caminho inverso”, explicou.

Possíveis articulações para 2019

Dentro do workshop, ele falou sobre o processo de decisão de forma Implícita e também a Explícita, onde os políticos não escondem preferências e também escolhas por partidos. “Por exemplo, um jornalista questiona para um deputado do Texas sobre a questão do por que ele escolheu votar em tal lei. Automaticamente ele disse que votou por que o partido x aprovou um projeto dele”, comentou. Sequencialmente ele disse que isso aconteceu também no Brasil como uma tentativa de segregar o seu público eleitor. “No próprio Impeachment muitos políticos votaram exaltando suas escolhas e explicando por que de seu voto”, completou o professor Adriano Gianturco.

O número de partidos também foi debatido

Falando sobre os partidos, o professor frisou sobre a questão da baixa de alguns partidos. “Exponencialmente a mudança dos partidos PSDB e MDB caíram. Eles poderão perder mais ainda com as apresentações de suas bancadas em 2019. Ou seja, mudanças bem fortes”, completou. A relação novos ministros também entrou na pauta como os novos nomes que já foram nomeados pelo presidente que tomará posse em 2019. “Sergio Moro, Marcos Pontes e etc”, completou dando uma brecha para as possíveis coalizões.

“PT e PSL é uma das coalizões que não consigo, por exemplo, perceber no Brasil. Não vejo muito isso”, comentou o professor e cientista político Adriano Gianturco.

Sobre as coalizões ele explicou que, por exemplo, algumas talvez não tenham como ser feitas. “PT e PSL é uma das coalizões que não consigo ver, ou perceber no Brasil. Não vejo isso muito”, completou. Sobre a ascensão de novos partidos em contra partida a pulverização do PSDB que foi tão bem nas eleições 2014, ele disse que o novo e mudança fizeram parte do processo. Prova disso foi também o próprio pleito para o Governo de Minas Gerais. “Houve também uma mudança no que podemos ver no Governo de Minas. Basta ver que Anastásia perdeu em Minas, mas Aécio ganhou como Senador. Claro que nesse caso seria e é mais fácil uma vitória para Aécio e foi o que aconteceu. Talvez a associação ao partido tenha feito com que Anastásia tenha perdido em Minas Gerais”, disse.

Possíveis projetos que estarão na pauta presidencial para 2019.

Em relação a questão das novas reformas ele foi direto e disse que, as possíveis mudanças poderão acontecer, mas, se vão acontecer, será uma questão a se esperar. “Não costumo levar diretamente promessas tão a sério, mas sei que alguns temas colocados em pauta poderão chegar ao final como a questão da Previdência”, disse o professor. Quanto a questão da educação, o professor frisou que a questão do nacionalismo e do moralismo poderão falar alto. “Possivelmente algumas disciplinas poderão voltar a tona como a questão da Moral e Cívica. Lembrando que quanto a questão das universidades federais, Paulo Guedes já vem sinalizando que vai com toda certeza fazer algumas mudanças”, concluiu.

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