cAsA – Obras Sobre Papel promove palestra sobre Marcelo Grassmann, com Maria do Céu Diel de Oliveira, dia 9/10

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Como parte da programação da mostra “Grassmann: do desenho à gravura”, em
cartaz até 3 de novembro, a cAsA – Obras Sobre Papel apresenta a palestra
“Conversações com imagens de Marcelo Grassmann”. A conferência acontece na
terça, 9 de outubro, às 19h, e será proferida pela professora Maria do Céu
Diel de Oliveira, da Escola de Belas Artes da UFMG.

“Nosso foco são as relações do tema do “profanum”, da janela espetacular, do
quadro cênico e das relações compositivas das obras e pinturas de Giorgione
e Lorenzo Lotto”, adianta a palestrante. As inscrições, com vagas limitadas,
serão recebidas até o dia 4 de outubro, pelo e-mail
<mailto:contato@obrasobrepapel.com.brcontato@obrasobrepapel.com.br. O
valor, com emissão de certificado, é de R$ 75.

SOBRE A EXPOSIÇÃO

A mostra “Grassmann: do desenho à gravura” traz 14 impressões de matrizes em
metal, 12 xilogravuras e 15 desenhos, um recorte que traz um amplo panorama
do legado do gravador e desenhista Marcelo Grassmann (1925-2013).

“Conhecido principalmente pela força de suas gravuras em metal, Marcelo
Grassmann se estabeleceu como uma referência entre os gravadores no Brasil.
Era um artista atuante e generoso, que não escondia suas técnicas e muito
menos seu trabalho”, pontua o curador da mostra, Alê Fonseca, fotógrafo,
gravador e um dos idealizadores da cAsA – Obras Sobre Papel. De traço livre
e despojado, o artista deixa obras integradas a um universo mítico e arcano,
presenteando o público a figuras de damas, monstros, cavaleiros, cavalos,
entre outros.

“Grassmann lutava para que a fluidez de sua inventividade e de seu desenho
chegasse às matrizes e cópias de suas gravuras, preservando os atos da mão
do gravador e instigando o observador ao pensamento do desenhista. Com o
tensionamento do espaço entre as duas práticas artísticas, ele consegue
tirar o melhor de cada técnica, aliando a fluidez do traço de desenhista com
a densa e profunda materialidade plana da gravura”, observa Alê Fonseca. O
curador ainda chama a atenção para o fato de que a prensa de Grassmann foi
feita em Belo Horizonte, por Antal Schober, sogro do artista e que dá nome a
uma rua do bairro Indaiá, na região da Pampulha.

A exposição na cAsA – Obras Sobre Papel se inicia com os 15 desenhos,
completamente inéditos para o público mineiro. “O conjunto, bastante
representativo de sua última fase, é uma riquíssima demonstração da potência
de seus traços, as manchas e a busca por variações, sobretudo na imaginação,
por onde Grassmann reengendrou com muito frescor seus personagens. É o
embate entre o grotesco e o sublime”, define George Rembrandt Gutlich,
professor adjunto de Gravura em Metal na Escola de Belas Artes da UFMG.

Na sequência, a exposição revela a seleção de gravuras, o que permite
ampliar a compreensão sobre suas técnicas e seu imaginário. Por fim, estão
expostas as impressões das matrizes em metal, confrontando a ação direta da
mão sobre o papel às imagens estampadas. “Por esta aproximação, pretende-se
apresentar a ideia e o labor manifestados em diferentes suportes e, desta
forma, como se estabelece uma unidade no conjunto da obra”, diz Gutlich.

Amigo próximo de Grassmann, Gutlich relata que o artista refletia
constantemente sobre a função do desenho em sua obra, sobre a hierarquia do
que comandava, a ideia ou a mão – em seu arcabouço de lembranças, passeavam
tanto o expressionismo alemão quanto às lições apreendidas com primorosos
artesãos italianos. “O desenho, no entanto, comandava a imaginação
florescente. E deveria ser tortuoso. Em consonância à sua própria opinião,
fazia brotar linhas serpenteantes de muitas espessuras, por onde seguiam as
aguadas em sépia. O contato do crayon no papel, por sua vocação plástica,
evocava atmosfera pictórica do sfumatto, no desafio constante de opor planos
a modelados”, descreve ele.

Grassmann ainda associava referências aparentemente antagônicas em sua obra,
de exemplos da arte contemporânea ao ofício silencioso. “Com isto, compôs um
repertório único, fugiu dos modismos e se afirmou por um repertório antes
universal que local, pela vastidão de seu pensamento”, descreve Gutlich.

SOBRE O ARTISTA

Marcelo Grassmann nasceu em São Simão (SP), em 1925. O artista se
estabeleceu como referência entre os gravadores brasileiros, principalmente
pela força de suas gravuras em metal e xilogravuras, mas também trabalhou
com desenhos, ilustrações e litogravuras. Teve influência de Oswaldo Goeldi,
Lívio Abramo e Gustavo Doré, além de ter frequentado academias no Rio de
Janeiro, em Viena e em Paris. Sua temática inicial era marcada por
arabescos, mas, posteriormente à série “Cavaleiros noturnos” (1949), passou
a visitar o universo fantástico e medieval, com figuras como heróis e
cavaleiros, damas e sereias, harpias e demônios. Participou de duas
exposições coletivas no Museu de Arte da Pampulha, na 1ª Exposição da Jovem
Gravura Nacional, em 1965, e no 21º Salão de Belas Artes, em 1966; além do
1º Salão Global de Inverno do Palácio das Artes em 1973. Recebeu sua
primeira e única individual em Belo Horizonte, até o momento, na Escola
Guignard, em 1977.

SERVIÇO:

Palestra “Conversações com imagens de Marcelo Grassmann” – com Maria do Céu
Diel de Oliveira

Data: 9 de outubro

Horário: 19h

Local: cAsA – Obras Sobre Papel (avenida Brasil 75, Santa Efigênia)

Informações: (31) 2534-0899

Valor (com certificado): R$ 75

Inscrições:  <mailto:contato@obrasobrepapel.com.br>
contato@obrasobrepapel.com.br

Exposição “Grassmann: do desenho à gravura”

Visitação: até 3 de novembro

Horários: de segunda a sexta, das 10h às 19h | aos sábados, das 10h às 14h

Local: cAsA – Obras Sobre Papel (avenida Brasil 75, Santa Efigênia)

Informações: (31) 2534-0899

Entrada franca

Sobre a cAsA – Obras Sobre Papel

A cAsA – Obras Sobre Papel, inaugurada em Belo Horizonte em 2015, tem como
princípio abrir suas portas para a realização de exposições, encontros,
discussão de ideias e promoção da arte sobre papel em todas as suas
manifestações, sobretudo a gravura.

O espaço preenche uma lacuna existente na capital mineira em relação à
técnica, com o objetivo de gerar um crescimento da circulação de gravuras,
desenhos, aquarelas, fotografias – sedimentar este mercado, valorizando esta
cultura, trazendo mostras e novas experiências artísticas.

Em seu expressivo acervo, obras de representativos nomes que fizeram
história como Oswaldo Goeldi, Abelardo da Hora, Iberê Camargo, Erik
Desmazières, Salvador Dalí e Picasso.

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