Análise – Spotlight: Jornalismo que deve ser observado pelos veículos e profissionais de imprensa

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Além da história sobre abusos contra crianças e adolescentes, filme mostra o quanto o ‘clipping de notícias’ é importante dentro dos jornais para pautar e produzir novas matérias

Análise do filme:
*Felipe de Jesus

*Foto: Divulgação Spotlight e montagem de capas*

A história se passa há quase 15 anos atrás, mas já vivíamos na era da Internet, onde os furos jornalísticos se tornaram raros e quase um milagre. O tão aclamado “Spotlight: Segredos Revelados”, vencedor do Oscar 2016, não trata apenas de uma investigação pesada sobre abusos contra crianças e adolescentes cometidos por padres em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, mas também sobre o que o jornalismo de verdade pode fazer em prol de uma sociedade. Ao começar pela equipe de jornalistas formada pelos atores: Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber e John Slattery, quase que pesquisadores que ficavam uma sala separada da redação para desempenhar reportagens mais pesadas, o filme mostra algo desejado por muitos profissionais do ramo investigativo: ter tempo para trabalhar em uma história, (em uma extensa matéria), como um advogado que trabalha em um caso e algum tempo depois apresenta o resultado do seu trabalho para o seu cliente.

No entanto, essa situação nos “tempos modernos” tem sido cada vez mais complicada, já que os veículos de imprensa precisam produzir notícias rápidas para concorrer diretamente com mídias espontâneas e ainda tem que fomentar assuntos para que os leitores discutam nas redes sociais. Com essa concorrência acirrada até mesmo com internautas que não são jornalistas, o que vemos no filme Spotlight se torna um “sonho” pelo tipo de trabalho desempenhado pela equipe de investigação que não fica presa as amarras da produção de notícias diárias ou mesmo semanais, e não precisa se preocupar com deadlines que estão cada vez mais apertados. Fora isso, mostra algo que praticamente não existe mais nas redações: o clipping de notícias, documento importante para o desempenho de outras matérias que acabou sendo deixado de lado e hoje é quase que um serviço exclusivo realizado pelas assessorias de imprensa. 

Mesmo sendo um sonho distante (já que para ter um equipe de investigação é preciso fazer e ter investimentos), o filme traz um panorama bem interessante e que deve ser observado pelos mais antigos e também novos profissionais de jornalismo que saem das faculdades: o fazer  jornalístico que consiste em ir para as ruas, conhecer pessoas e desgrudar das cadeiras da redação. Se a história de Spotlight prendeu o espectador pela história, com certeza deve chamar a atenção  pela forma com que os profissionais faziam o seu trabalho: um telefone, uma caderneta para anotar e boas perguntas na manga. Hoje podemos muito bem trocar o telefone fixo e as convencionais máquinas fotográficas por celulares, a caderneta de anotar por tablets, mas jamais a nossa presença, o conhecido  “network”, por áudios de WhatsApp e Messenger ou emails. Essas ferramentas digitais são essenciais, devem ser usadas sempre que preciso, mas jamais substituem o profissional em corpo físico.

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Já assisti a outros filmes que mostram a situação, “uso da internet e o trabalho jornalístico”, como por exemplo: Intrigas de Estado – 2010 (com a atriz Rachel McAdams), que tem uma história bem parecida com Todos Os Homens do Presidente – 1975, O 4º Poder – 1997,  O Jornal – 1994 (também com a participação de Michael Keaton) Frost X Nixon – 2008, Boa Noite Boa Sorte – 2005, Uma Manhã Gloriosa – 2010 (também com a atriz Rachel McAdams), A Caçada – 2007 e O Solista – 2009, história real vivida pelo ator Robert Downey Jr, que faz o papel do jornalista-colunista, Steve Lopez (do L.A Times) que descobre um talento da música nas ruas. Todos esses filmes mostram o trabalho jornalístico aliado a internet, mas nunca deixam de representar o fazer jornalístico nas ruas, que procura respostas para produzir uma matéria. Sendo assim, Spotlight é mais um filme mostrando que mesmo com todas as tecnologias a disposição, ir para as ruas e conhecer de verdade um entrevistado pode dar para os leitores muito mais do que um simples artigo, mas a mudança dos rumos de uma história.

Veja o trailer do filme:

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