Academia Mineira de Letras (AML) e a Escola Brasileira de Psicanálise (EBP – MG), por...

Academia Mineira de Letras (AML) e a Escola Brasileira de Psicanálise (EBP – MG), por meio de uma parceria, lançam o programa “Lacan na Academia – conversando com a literatura”

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A Academia Mineira de Letras (AML) e a Escola Brasileira de Psicanálise (EBP – MG), por meio de uma parceria, lançam o programa “Lacan na Academia – conversando com a literatura”, série de sessões de literatura comentada por importantes psicanalistas, como Antônio Teixeira, Sérgio de Castro, Márcia Rosa e Ram Mandil e convidados. As sessões pretendem abordar interseções entre a literatura e a psicanálise, em encontros mensais, durante todas as terceiras quartas-feiras de cada mês, às 19h30, no auditório da AML.

A iniciativa parte do pressuposto de que bem antes da psicanálise, a arte da literatura faz pousar na letra o que não cessa de não se escrever na vida. Ambas se servem da letra como uma instância e testemunham como escrever é, para o ser falante, um esforço de fixar algo pela ficção da escritura. Afinal, o que conta numa análise é a forma singular como cada um articula palavras e silêncios ao que se lembra e ao que esquece e, consequentemente, ao que se escreve.

O que o encontro da psicanálise e da literatura pode provocar é o ponto de partida que anima a parceria entre a EBP-MG e a AML. “É importante notar que o psicanalista ao contrário do que se pensa, não é aquele que escuta: é antes aquele que lê no que ouve a escritura de um desejo, ou de uma vontade, de gozo que pulsa no corpo falante enquanto tenta encontrar, na estrutura da linguagem, um modo de o bem dizer”, explica Fernanda Otoni – membro da EBP-MG.

Nesta primeira edição, serão quatro encontros sob o tema “O feminino, seus corpos e mundos”, por meio da leitura de autores brasileiros, do século XX, que permitirão levantar o véu do prenúncio da expressão do feminino fora das bordas e bordados da intimidade do lar. Os encontros propõem verificar se o feminino já pulsava instalado no corpo literário de Nelson Rodrigues, Oswald de Andrade, Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

 

Sobre a primeira palestra – DIA 14/03:

Abrindo a programação do programa “Lacan na Academiaconversando com a literatura”, o psicanalista Antônio Teixeira e o cineasta Gustavo Jardim vão abordar o tema “O Demônio do feminino em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa”.

“Ao passo que Euclides da Cunha fala de “Os Sertões”, no sentido genérico que o artigo plural evoca, Guimarães Rosa faz falar o “Grande Sertão”, no sentido ímpar do adjetivo singular. Tanto em Rosa como em Euclides há a terra, a luta e o homem; a diferença, observa Antonio Cândido, é que em “Grande Sertão” a busca pelo nexo causal determinista que orienta o ideal cientifico do relato de Euclides se desfaz. No lugar do determinismo, existe o desejo e suas ambiguidades, o paradoxo. O pacto funciona, mas se duvida que o Diabo exista. Em tal contexto, Diadorim encarna a ambiguidade da posição ao mesmo tempo santa e demoníaca do feminino como contrapartida ao pacto masculino com o Diabo”, ressalta o palestrante, psicanalista Antônio Teixeira.

Para o cineasta Gustavo Jardim “O “Grande Sertão: Veredas” é uma obra em pleno movimento, como um redemoinho, no seu centro está o mistério de nossa identidade e dos nossos dias atuais: o demônio do feminino, podemos entrevê-lo através de uma violência que emana da natureza e irmana com nosso olhar”.

 

SERVIÇO:

Lançamento do programa “Lacan na Academia- conversando com a literatura

  • Palestra “O Demônio do feminino em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa” – com Antônio Teixeira e Gustavo Jardim.
  • Data: 14 de março
  • Horário: 19h30
  • Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466 – Lourdes – BH/MG).
  • Entrada gratuita. academiamineiradeletras.org.br

 

Programação:

– 14 de março: O Demônio do feminino em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Com Antônio Teixeira e Gustavo Jardim.

– 18 de abril: O declínio do patriarcado em Oswald de Andrade. Com Sérgio de Castro e convidado.

– 16 de maio: “E não passava de uma mulher… inconstante e borboleta”, em Clarice Lispector”. Com Márcia Rosa e convidado.

– 20 de junho: O feminino: corpos e mundos em Nelson Rodrigues. Com Ram Mandil e convidado.

 

 

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