Restaurante compartilhado chega à BH: House of Food

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A prática de compartilhar escritórios por pequenas empresas se expandiu. A ideia agora é usar o método conhecido como coworking no compartilhamento de cozinhas. É isso o que têm feito alguns espaços em Belo Horizonte. O novo conceito é o mote da recém-inaugurada House of Food, franquia da empresa que surgiu em São Paulo em 2013.

A casa, que abriu as portas no dia 23 de abril, funciona assim: a cozinha industrial, totalmente equipada, pode ser alugada por alguém interessado em mostrar o seu trabalho para o público em geral. “A operação da cozinha, ou seja a matéria-prima e a equipe, é do nosso parceiro, que também tem que montar um cardápio, com preço incluído, para ser apreciado pela nossa curadoria”, afirma a proprietária do House of Food, Isabela Queiroz, 29. O preço do aluguel é de R$ 280 por dia, e o faturamento é dividido da seguinte forma: 70% para o parceiro convidado e 30% para o House of Food.

A casa não exige do parceiro que ele seja chef, mas que tenha experiência com cozinha de restaurante. “É um batidão. Uma pessoa que esteja acostumada em cozinhar para a família e os amigos não vai dar conta de atender um público que não gosta de esperar. Não é slow food”, diz ela, salientando que a casa a funciona o dia inteiro.

Queiroz afirma que “a ideia principal é a do compartilhamento mesmo”. “O lay out da casa é todo pensando nisso: com mesas grandes e serviço de balcão. A pessoa compra a ficha, o pedido é levado para a cozinha e, quando está pronto, é chamado por um megafone”, explica Isabela. “Um jeito meio londrino de ser, com os clientes recolhendo o seu próprio lixo e com a chance de conversar com o chef da vez”, completa ela.

O interessante é que tanto o público quanto a comida servida é diferente a cada dia. Por exemplo, nesta semana, foi servido risoto na terça, hambúrguer na quarta, comida paraense na quinta, mexicana na sexta e nordestina no sábado. “No dia do hambúrguer, a casa ficou cheia de jovens. Na quinta, o público era outro porque eram pessoas interessadas em conhecer uma culinária diferente”, afirma. “Na semana que vem é outra programação”, avisa.

Foto: Divulgação – House of Food SP

Isabela Queiroz afirma que esse tipo de negócio serve a vários interesses. “Pode ser ideal para um chef que queria testar a aceitação de novos cardápios; ou para o profissional que ainda não é conhecido mostrar seu trabalho; para quem quer fazer uma renda extra; ou ainda ter a experiência de ter um restaurante antes de abrir o seu. As opções são muitas. Não tem limitação’, diz.

Deve ser por isso que a agenda do House of Food está cheia. “Não temos mais vagas para sexta e sábado até julho”, avisa a nutricionista, também formada em gastronomia, que não se considera uma chef. “Cozinho bem, mas meu negócio é gestão”, diz ela, que foi dona do restaurante Glacê, que funcionava no mesmo endereço do House of Food, por sete anos e meio.

Na mesma alegria, estão os sócios Renata Alamy, 39, Bruno Durães, 33, e Lucas Durães, 27, com o Guaja, espaço de compartilhamento de salas e escritórios que também oferece o “restaurante por um dia”, com o projeto Efêmero. Só que no Guaja, o empreendedorismo é feito em conjunto. “O chef, ou mesmo um amador que tenha interesse em usar nossa cozinha, faz uma visita técnica, elabora um cardápio, com menu fechado (entrada, prato principal e sobremesa), com degustação para nossa aprovação. Se aprovado, ele usa o espaço durante um sábado, das 12h às 16h. Tiramos os nossos custos e depois dividimos o faturamento”, explica Renata Alamy.

Ela afirma que no período são vendidos até cem cardápios, que é a capacidade do local. “Vendemos com qualidade”, diz, avisando que, em breve, a Guaja terá outra cozinha, maior, com outro tipo de funcionamento, bem parecido com o que oferece a Confraria Fit (leia na página ao lado). “Ela poderá ser alugada por R$ 450 por três horas para alguém que queira dar cursos de culinária, festas, reuniões ou workshop”.

O Guaja ainda conta com o primeiro café coworking do Brasil. Nele, a pessoa paga R12 por hora ou R$ 48 por dia e pode usufruir do espaço com ótima internet e ainda consumir tudo o que é oferecido no bufê do café. “Tem todo tipo de gente: quem está escrevendo monografia, designers freelancers, entre outros profissionais que fazem dali um escritório”.

Alamy se diz surpresa com os resultados. “Não esperávamos atingir nossa capacidade tão rapidamente. Estamos felizes demais.”, diz ela. “Até pelo cenário político que estamos vivendo, acho que as pessoas estão buscando algo para se reinventar”, acredita Ávila.“Quem não compartilhar vai ficar pra trás. Ou compartilha ou o mundo acaba”, diz Queiroz.

Um espaço para dar aulas de culinária

Embora não funcione como uma coworking, a Confraria FIT se assemelha à experiência de compartilhamento que o Guaja pretende realizar com sua segunda cozinha. A empresa foi criada em agosto do ano passado por Fabiana Thebit, 28, com o objetivo de ser um espaço em que nutricionistas pudessem explicar as receitas de suas dietas para os clientes.
“Quando me formei em nutrição, eu senti falta de um lugar assim porque é muito melhor você mostrar como se faz um prato do que simplesmente escrever a receita”, diz. O negócio, porém, se expandiu e a Confraria Fit hoje é utilizada também por chefs para cursos de culinária, que pagam R$ 300 por três horas.
Um dos chefs é André Barreto. Ele aluga a cozinha da Confraria FIT uma vez por mês para dar aulas. “Já dei oficinas de risotos, finger food, de técnicas para usar a panela de pressão”, afirma. Segundo ele, “a cozinha não é industrial, mas super bem equipada”. “O clima é como se a gente estive cozinhando em casa, com a sala conjugada”, diz.
Barreto afirma que a possibilidade de alugar o espaço uma vez por mês é ideal, já que a gastronomia é, para ele, apenas um hobby. “É uma maneira de eu exercitar essa minha paixão”, afirma o chef, que trabalha como relações públicas de uma empresa.
O preço de suas aulas giram em torno de R$ 140 a R$ 180, com direito a apostila e jantar, acompanhado de quatro tipos de vinho ou cerveja. “A ideia, mais do que ensinar uma receita, é proporcionar um a experiência para as pessoas”, diz.

Chef teve a experiência que buscava

O chef Luiz Moreira teve, pela primeira vez, a experiência de compartilhar a cozinha do House of Food, na última quarta-feira. “Foi ótimo, vendemos tudo”, afirma ele, que viu todos seus 150 hambúrgueres artesanais serem consumidos, das 12h às 21h, uma hora antes do fechamento previsto pela casa. “Fiquei até triste porque queria que ter servido todo mundo.Mas foi muito bom pra sabermos como é ter um restaurante, já que pretendemos abrir o nosso ainda neste ano”, afirma Moreira, que é sócio Henrique de Moraes.
Com o sucesso da empreitada, os dois já fecharam com a House of Food para mais três quartas e duas terças-feiras. “A House of Food tem tudo a ver com a nossa proposta, despojada”. Na quarta-feira, o chef apresentou três sabores diferentes de hambúrguer, por R$ 22 cada um, com a opção de ser acompanhado por uma salada, que saia a R$ 5.
Moreira afirma ser um especialista em hambúrguer. “Estudo a técnica, os cortes, e tudo o que se refere a hambúrguer há cinco anos”, diz. “O nosso leva três tipos diferentes de carne e são moídas apenas algumas horas antes de irem para a chapa. A cane estar fresca faz toda a diferença, além de oferecer um bom pão.”
  • contato@confrariafit.com.br

Foto: Divulgação

 A cozinha industrial é equipada com utensílios profissionais, como fornos combinados, multiprocessador robocup, balcões refrigerados, fogão industrial, ultracongelador e tudo o que um bom cozinheiro precisa na hora de preparar seus pratos. O único trabalho do chef é levar os ingredientes que serão utilizados no dia.

Foto: Reprodução do facebook

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Infos:

SERVIÇO

Guaja 

Av. Afonso Pena, 2,881, Belo Horizonte – (31) 2127-1517

 

House of Food
Av Carandai, 420, Belo Horizonte
(31) 3327-6880

Confraria Fit

Rua Santa Catarina, 1,627, Lourdes, BH
(31) 3297-0184

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