Cerveja artesanal do Vale do Aço é premiada em concurso nacional

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Foi-se o tempo em que a cerveja pilsen reinava absoluta na preferência dos consumidores brasileiros. A cada dia, os bebedores de cerveja descobrem fortes concorrentes para a ‘loira gelada’, como é popularmente conhecida o tipo mais comum da bebida no Brasil. Apesar do clima tropical ser propício ao consumo da pilsen – de coloração clara e teor alcoólico mais reduzido e leve -, a apreciação de marcas fabricadas artesanalmente ganha mais adeptos e se difunde entre bares, botecos e restaurantes em função de seus diferenciais.

‘A variedade de sabores das cervejas artesanais acaba até mesmo conquistando pessoas que até então não gostavam da bebida. Como no Brasil a cerveja pilsen é a mais consumida, muita gente que experimenta esse tipo acaba não gostando. Mas a diversidade de misturas das cervejas artesanais pode se adequar a uma infinidade de gostos’, argumenta o músico Henrique Moreira Reis e os historiadores Rafael Patrício Martins e Vittorio Peri.

Há dois anos, os três amigos deixaram de ser meros degustadores de cerveja artesanal e decidiram criar sua própria marca. A idéia deu origem à MobBier, primeira do Vale do Aço a ser fabricada nos moldes caseiros.

‘Temos um grupo grande de amigos, uma espécie de confraria de pessoas ligadas à cultura cervejeira. A gente sempre se reunia para experimentar marcas artesanais e gostávamos de pesquisar sobre o modo de preparo, técnicas de fabricação e diversas outras informações sobre como fazer cerveja. Isso nos deu segurança para montar nossa própria marca’, conta Rafael Patrício. Além da consulta em sites e livros especializados, os três sócios participaram de cursos de capacitação promovidos pela Associação de Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva). Aos poucos, Rafael, Vittorio e Henrique foram conhecendo outros produtores e passaram a adquirir os primeiros equipamentos de fabricação.

Após quatro meses de produção, a Mob-Bier participou do Concurso Mineiro de Cerveja Artesanal. ‘Ficamos em último lugar, mas isso foi um incentivo para aprimorarmos a qualidade da MobBier. Em 2008, participamos do 3º Concurso das Associações de Cervejeiros Artesanais e ficamos em sexto lugar na categoria Weiss (cerveja de trigo, tradicional na Alemanha)’, conta Henrique, explicando que o conhecimento técnico mais aprofundado e a aquisição de equipamentos mais adequados permitiram que a MobBier obtivesse melhor colocação.

Após dois anos produzindo a MobBier – fabricada na casa onde mora Henrique, em Coronel Fabriciano -, os três sócios comercializam atualmente 120 litros da cerveja por mês, em garrafas de 600 ml vendidas a R$ 7, em média. Com a objetivo de continuar produzindo em pequena escala para manter o alto padrão de qualidade, os donos da MobBier pretendem se envolver com outros projetos que incentivem a produção de cerveja artesanal no Vale do Aço. ‘Todos nós nos ocupamos de outras atividades. A produção de cerveja ainda é um hobby, mas sonhamos que um dia possamos viver disso. Acreditamos que é um sonho possível porque há um grande número de apreciadores de cerveja artesanal e pessoas interessadas pela cultura cervejeira. A MobBier surgiu há apenas dois anos e desde então surgiram bares especializados em cerveja artesanal e novas marcas produzidas na região. São indícios de que esse mercado ainda vai crescer muito por aqui’, diz Vittorio Peri.

Reconhecimento

A premiada Texsan, de Eric Teixeira: em 2010, a marca será produzida em maior escala e fabricada também em chopp.

Além da MobBier, o Vale do Aço já foi representado em outros concursos pela cerveja Texsan. Produzida em Mesquita pelo ipatinguense Eric Teixeira, a marca surgiu um ano depois da MobBier e obteve colocação de destaque logo no primeiro concurso que disputou. Em agosto de 2008, oito meses após iniciar sua fabricação, o Concurso das Acervas premiou a Texsan como a segunda melhor cerveja na categoria Weiss. ‘Foi um prêmio importante porque disputamos com outras 35 marcas. O primeiro lugar foi vencido por uma marca argentina. Podemos considerar então que a Texsan foi a melhor cerveja brasileira da categoria’, conta Eric.

Diariamente, ele dirige de Ipatinga, onde trabalha como bancário, até Mesquita. Lá, ele e outro funcionário fabricam a Texsan, cuja produção mensal é de 250 litros, vendidos em garrafas de 600ml a R$ 9, em média. Em 2010, Eric pretende se dedicar exclusivamente à Texsan. ‘O objetivo é atingir produção mensal de no mínimo dois mil litros e no máximo oito mil litros, nos moldes de uma microcervejaria’. Ele também pretende investir na fabricação de chopp artesanal. Sua aposta na produção de cerveja artesanal se deu pelos mesmos motivos dos donos da MobBier. A exemplo dos três sócios da cerveja fabricianense, Eric Teixeira sempre apreciou e pesquisou a cultura relacionada ao consumo de cerveja.

‘Para quem aprecia as cervejas produzidas pelas grandes fábricas, é impossível não notar o diferencial das artesanais. Seu líquido é mais encorpado e o sabor é mais apurado por não utilizar aditivos. Aos poucos, percebemos que o Vale do Aço está descobrindo a variedade de sabores que esse tipo de cerveja proporciona aos consumidores. As pessoas estão descobrindo que a cerveja é tão rica quanto o vinho. Ela envolve uma infinidade de variações e pode ser apreciada com cardápios específicos’, diz.

Novas empreitadas

Além do surgimento quase simultâneo de duas marcas regionais, outros fatores demonstram a aceitação das cervejas artesanais no Vale do Aço. Em Ipatinga, o Petiscos Bar oferece a maior diversidade de marcas da região. Localizado no bairro Bom Retiro, o estabelecimento existe há pouco mais de um ano, mas já se tornou referência para os apreciadores das cervejas artesanais. O bar oferece mais de 80 marcas de países europeus e várias regiões do Brasil.

Segundo um dos proprietários do estabelecimento, Álvaro Cristian, a idéia de comercializar várias marcas de cerveja surgiu da carência na região. ‘Nós consumíamos cerveja artesanal nos bares de Belo Horizonte. Em Ipatinga, só achávamos as marcas mais comuns. Hoje o Petiscos vende desde cervejas mais conhecidas até marcas que não são encontradas em nenhum outro estabelecimento da região’, informa.

Para Álvaro, o advento da MobBier e Texsan – ambas vendidas no bar – foram importantes para fomentar o movimento cervejeiro no Vale do Aço. O sucesso do bar e a boa aceitação das marcas regionais irão impulsionar novas empreitadas. ‘Planejamos abrir uma cervejaria ainda no primeiro semestre de 2010. Além da fabricação de chope e cerveja artesanal, o local também será utilizado para sediar eventos de fomento à cultura cervejeira, como palestras, cursos e degustações’, adianta o empresário, que recentemente foi eleito o vice-presidente da Acerva e patrocinou, em outubro de 2009, a primeira edição da Oktobervaço, que realizou uma série de workshops sobre produção de cerveja. Para Álvaro, em 2010 o Vale do Aço dará passos importantes para se tornar um pólo cervejeiro em âmbito estadual. ‘Serão três marcas produzidas na região e duas cervejarias. Com a fabricação regional, o produto chegará ao consumidor com um valor mais reduzido, facilitando ainda mais a aceitação das cervejas artesanais’, finaliza.

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