Pesquisa revela que 80% dos assassinatos registrados, ocorreram por armas de fogo

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Ao contrário do senso comum, a arma de fogo ao invés de defender expõe a pessoa a maior risco de morte
O número de mortes provocadas por armas de fogo tem aumentado nos últimos anos. Em 2019, mais de 449 mil pessoas morreram no Brasil por disparos de revólveres. A defesa contra armas de fogo mais as políticas públicas de desarmamento atuam na prevenção e educação contra a violência.

A arma de fogo, ao contrário do que o senso comum diz, no lugar de defender ou proteger a pessoa contra assaltos, aumenta a possibilidade de morte e o seu uso é principalmente no contexto de conflitos cotidianos e não contra bandidos.

A discussão sobre reagir em assaltos é bastante polêmica e requer muito treino e responsabilidade. O professor e membro da Federação Sul Americana de Krav Magá, Dionésio Mariosi, explica que a vantagem de aprender a autodefesa é poupar vidas.

“Se o agressor perceber que a pessoa está armada, bem provável ele irá disparar”, alerta.

Políticas públicas mais brandas recentemente adotadas em relação ao desarmamento tem forte relação com esses dados, facilitando o acesso às armas, além do aumento do número de categorias profissionais com direito ao porte de arma.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Atlas e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na região do nordeste e norte, 80% dos assassinatos registrados ocorreram com o uso de arma de fogo.

O Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) aponta que a vítima de um assalto quando está armada possui mais de 56% de chances de ser morta, ao comparar com uma vítima desarmada.

Defesa contra ameaças de arma de fogo – reagir ou não reagir?

Esse é tema polêmico e que envolve contextos culturais. O mestre Kobi Lichtenstein, disseminador do krav magá na América Latina, em entrevista diz que a cultura brasileira é moldada para não reagir aos assaltos em informações na TV e mídias.

No entanto, argumenta que a reação sempre irá existir até mesmo não fazer nada diante de uma situação de risco, é uma reação.

A desvantagem desse comportamento social, segundo o mestre, é a disseminação do medo, o que deixa a sociedade acuada. “Quanto mais desenvolvido o país, mais a sociedade é preparada para reagir”, argumenta. Confira na íntegra a entrevista abaixo.

O professor Mariosi explica que durante os treinamentos de defesa contra armas de fogo o aluno é capacitado para lidar com o próprio medo, adquirir confiança, medir riscos e saber a hora certa de defender a própria vida.

“Educar a população para autodefesa, ao contrário do armamento, salva vidas e combate a omissão por medo. Uma vez que a pessoa domina as técnicas através do treino não só irá se defender, mas pode ajudar outro  indivíduo vulnerável”, pontua.

Além do aprendizado técnico é fundamental o preparo mental para enfrentar uma situação de violência cotidiana contra oponentes armados. Dentre essas capacidades estão:

  • Controle emocional;
  • Visão periférica
  • Avaliação do contexto;
São pontos essenciais que irão garantir a segurança da reação num contexto arriscado.
“O treinamento vai além do contexto da academia. Estimulamos que o aluno pratique o que aprendeu no seu contexto do dia a dia, como maior atenção aos arredores e auto-observação emocional”, completa.

*O professor Dionésio Mariosi é referência e membro da Federação Sul Americana de Krav Magá.

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